Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Goiânia – GO

Seguimos com a circulação nacional de Instruções para o Colapso, contemplada pelo Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013, desta vez região Centro-Oeste. Em Goiânia o Coletivo realizou duas apresentações do Instruções para o Colapso na cidade de Goiânia –  uma no sábado, dia 17 de outubro, às 11h na Avenida Goiás; e outra no domingo, dia 18 de outubro, às 17h no Parque dos Buritis. Além disso faz parte do projeto a realização de trocas artísticas com coletivos parceiros e oficinas com alunos da Universidade. Para isso oferecemos uma oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas  e um Bate- papo com os alunos do Laboratório de Dança, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG). E também realizamos uma Incubadora de Criação com o Laboratório de Poéticas Corporais e Tecnologia.

Goiânia, a partir de um primeiro olhar vê-se uma cidade planejada –  como Brasilia -, mas com o passar dos dias a visão se detalha e percebe-se então uma organização que se fez caótica com o passar do tempo, devido talvez a um crescimento populacional acelerado que se deu nos anos 60.  Logo que chegamos já recebemos um presente –não esperado, trânsito. No cotidiano, uma certa pressa no trânsito – passar farol vermelho e andar pelas calçadas é algo bem frequente por aqui, tudo para fugir dos pequenos engarrafamentos que surgem pela cidade.  Percebe-se um estado de conflito iminente, um tipo de violência mais crua, menos velada, que sobrevive no cotidiano com certa normalidade, em diversas camadas. Localizada no centro do Estado de Goiás, foi planejada e construída para ser a capital política e administrativa de Goiás sob influência da Marcha para o Oeste, política desenvolvida pelo governo Vargas para acelerar o desenvolvimento e incentivar a o ocupação do Centro-Oeste brasileiro.

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As apresentações do Instruções para o Colapso foram realizadas na cidade de Goiânia –  uma no sábado, dia 17 de outubro de 2014, às 11h na Avenida Goiás; e outra no domingo, dia 18 de outubro de 2014, às 17h no Parque dos Buritis. Os dois lugares trazem características muito novas para o Instruções para o Colapso e isto possibilitou novas formas de pensar o trabalho e entender mais uma vez a relação de co-autoria com o espaço. A Avenida Goiás, palco de manifestações e ações das mais variadas da cidade, lugar de grande concentração de comércio formal e informal, e apresenta um cenário de conflito político e embate social bem evidente. Foi uma apresentação que exigiu uma reconfiguração considerável do espetáculo, uma vez que ele nunca havia sido realizado em uma avenida. Metade da apresentação aconteceu no canteiro central da avenida – o que deu ao trabalho um tom mais imagético e poético – e a outra metade na calçada comercial, onde gerou mais conflito, tensão e reverberação social. E o Parque dos Buritis, que aos domingos é utilizado especialmente para passeios familiares, uma vez que é um espaço muito bonito, tranquilo, agradável e fresco. Foi um ambiente completamente novo para o trabalho, que teve seus aspectos visuais – imagéticos e de desenho espacial ressaltados.

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A oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas  foi realizada no dia 23 de outubro de 2014, das 8h30-11h30, e o Bate Papo no dia 22 de outubro de 2014, das 10 as 11h40, ambos no Laboratório de Dança | Centro de Dança Lenira Miguel de Lima (FEFD – Faculdade de Educação Física e Dança) – Campus Samambaia – na UFG – em parceria com as professoras Elisa Abrão e Ana Reis. No Bate Papo tivemos a oportunidade de colocar a pesquisa em discussão e assim suscitar novos entendimentos e questionamentos acerca não apenas do trabalho do Cartográfico, mas da dança contemporânea e da intervenção urbana em termos mais amplos. Na oficina compartilhamos nossas pesquisas de fisicalidades e de ocupação do espaço urbano. A proposta de ocupação se deu nos espaços internos do campus da UFG.

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A Incubadora de Criação realizada em parceria com o Laboratório de Poéticas Corporais e Tecnologia, se desenvolveu sob a forma de uma potente troca artística do Coletivo Cartográfico com as artistas Elisa Abrão, Ana Reis e Warla Paiva.

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Foto: André Pin

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Foto: Thiago Cancelier Dias

Não ser o principal propositor em um processo de troca artística é bem provocador, perde-se o controle. Tira-se um pouco o chão – as certezas –  e adentra-se em novos modos de produção, novas formas de realizar atos artísticos. Os atravessamentos foram constantes, a cada encontro, a cada dia. Escolhemos por fim, criar uma proposta de embate com a cidade, a partir de olhares individuais propostos por cada uma das artistas com seus interesses póeticos e artísticos específicos inspirados estes em questões que mais as instigavam cada qual no seu relacionar-se com a cidade de Goiânia.  Seis artistas mulheres com suas intervenções individuais, cada qual em uma parada do Eixão, na Avenida Anhanguera. Iniciamos e terminamos juntas, combinamos um local de início e de fim da ação. A proposta era que fizéssemos a ação na frente das pessoas que esperam o ônibus na parada, do outro lado da rua. A Avenida Anhaguera tem uma grande importância de fluxo para a cidade, ela atravessa um dos grandes eixos da cidade – sendo o outro eixo a Avenida Goiás. Eixo Anhanguera é o nome dado a um corredor de transporte coletivo exclusivo. Em seus 14 km de extensão, faz a ligação entre os extremos leste e oeste da capital. A ação foi um experimento com muita potência de continuidade e aprofundamento. Neste atravessar e ser atravessado, nestes dias intensos de trocas e compartilhamentos no fazer e criar. A experiência se fez, as reverberações ainda estão por vir.

“(…) uma experiência, por definição, determina um antes e um depois, corpo pré e corpo pós-experiência. Uma experiência é necessariamente transformadora, ou seja, um momento de transito da forma, literalmente, uma trans-forma. As escalas de transformação são evidentemente variadas e relativas, oscilam entre um sopro e um renascimento (…)” (FABIÃO, 2008)

Agenda: Instruções para o Colapso em Goiânia – GO

Depois de Palmas/TO, São Paulo/SP, Curitiba/PR e Rio de Janeiro/RJ,  o Coletivo Cartográfico irá apresentar o espetáculo Instruções para o Colapso na cidade de Goiânia/GO, como parte do projeto de circulação nacional do trabalho, contemplada pelo Prêmio Funarte Klauss Vianna/2013,  e fará parte da programação dos 81 anos da cidade.

O espetáculo irá acontecer no dia 18 de outubro, sábado, às 11h,  na Av. Goiás (em frente ao Grande Hotel); e no dia 19 de outubro, domingo, às 17h no Bosque dos Buritis.

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Além disso contará com as parcerias com o  Curso de Dança da Universidade Federal de Goiás  (UFG) e com o Laboratório de Poéticas Corporais e Tecnologia.  Faz parte do projeto além das apresentações a realização de trocas artísticas com coletivos parceiros e oficinas com os alunos da Universidade.

Segue informações sobre a oficina:

Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas
Dia 23 de outubro | 8h30-11h30
no Laboratório de Dança | Centro de Dança Lenira Miguel de Lima (FEFD – Faculdade de Educação Física e Dança) – Campus Samambaia – UFG.

Mais informações pelo email: coletivocartográfico@gmail.com