Sobre Trabalhos: Mostra Primeiras Obras

Um fragmento estilhaçado de Instruções para o Colapso explodiu no saguão do Complexo Cultural Funarte/SP no dia 04 de agosto de 2013. Com o desejo de participar, junto aos outros artistas contemplados pelo ProAC Primeiras Obras de Dança de 2012, da Mostra Primeiras Obras – idealizada por Talita Bretas e abarcada pelo Projeto Conexões, de Adriana Grechi e Amaury Cacciacarro Filho -, as integrantes do Coletivo Cartográfico desenvolveram uma performance na qual pedaços do espetáculo foram adaptados para a área externa do edifício, uma vez que seria impossível apresentar na íntegra um trabalho desenvolvido para espaços públicos amplos, como a Praça da Sé.

Apesar de o trabalho, sendo de rua, ter sido criado sempre em relação com os moradores e frequentadores da praça, foi muito importante para o Coletivo poder estar nessa Mostra, onde o trabalho foi pela primeira vez apresentado para um público mais especializado em dança. O hibridismo de olhares e o retorno do público da Mostra pode ajudar as artistas a maturar o entendimento da pesquisa – uma linguagem de dança contemporânea e performance em fase de nascimento.

Foi sobretudo importante poder ver os outros trabalhos também contemplados pelo edital, que eram completamente distintos uns dos outros, demonstrando um interesse curatorial por parte da equipe do ProAC por uma heterogeneidade de pesquisas. Além disso, abriu-se ali a possibilidade potente dos coletivos artísticos e artistas ao invés de investirem numa lógica do “cada um por si”, poderem compartilhar suas pesquisas diversas, impulsionando uns aos outros.

O Coletivo Cartográfico agradece por ter participado dessa ação cultural e faz votos para que iniciativas como essa sigam acontecendo.

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Agenda: Oficina Demolir e Construir o Corpo-Cidade

O Coletivo Cartográfico irá este sábado, dia 20 de julho de 2013, das 10h-18h, realizar uma oficina acerca de dispositivos para o trabalho de rua que participaram do processo de criação do espetáculo Instruções para o Colapso… Serão trabalhados alguns programas performativos que agenciam rupturas nas relações corpo-espaciais com a cidade, buscando a criação de poéticas que partam deste choque primordial.

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A oficina, fruto do ProAC Primeiras Obras de Dança da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, será realizada também em parceria com o Programa Vocacional Interlinguagens, da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo – http://planototaldaficcao.hotglue.me/ –  no Centro Cultural da Juventude (CCJ), na Zona Norte de São Paulo…

Sobre Trabalhos: Relatos do Início – O Anhangabaú…

Começo. Vale do Anhangabaú era nosso espaço-sede, por sua história de reconstruções, por suas riquezas espaciais… mas, um projeto chama seu tema: corpo-cidade e suas inconstâncias, colapso imanente.

O Anhangabaú ao fim de semana era vasto e vazio. Preenchido de pequenas solidões dispersas. Nossos poucos corpos, perdiam-se em sua vastidão. Derivamos, de maneiras diversas. Nomeamos seus espaços para melhor caber. O Anhangabaú era quase quinzenalmente preenchido por grandes eventos de todas as naturezas. Dia da mulher. Show de hip-hop. Evento evangélico. Os eventos nos engoliam, tornando nossos corpos inviáveis.

Ainda assim, talvez quixotamente, decidimos enfrentar o gigante-moínho, e desdobrar suas possibilidades ativas, encarando tudo que o espaço demolia em nós como potência.

Mas eis que mais impossibilidades se acumularam. Aquele espaço é palco do principal telão de copa do mundo há anos… lá seria montado o telão da copa das confederações e, pior do que isto, entraria em reforma no segundo semestre para a copa do mundo de 2014…

Desistimos. Demolições demais. Corpo frágil… decidimos ir para a Sé.

Mas, aqui, postamos procedimentos iniciais do processo… do qual de derivas e aproximações com o Vale, surgiram mapas, percursos, gravações e imagens de lugares por nós renomeados… Compartilhamos portanto, alguns materiais criados em março, que podem disparar possíveis experiências no trato coreográfico com a cidade:

A partir destas cartografias, nós renomeamos diferentes espaços do Vale, como se vê:

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Sobre Trabalhos: Processo Demolições

Após a experiência na Casa da Purpurina, o Coletivo Cartográfico decidiu, em 2012, adentrar num processo de pesquisa criativa para a criação de um espetáculo de dança para a rua. Divindo as pesquisas entre a sala de ensaio e programas de intervenções de rua, está-se construindo um corpo-campo em constante processo de demolição e reconstrução para se adaptar ao ritmo de situações distintas que a cidade impõe. A partir desse primeiro post, escreveremos acerca dos programas de intervenção que estamos realizando, que compõe parte da pesquisa em que o Coletivo está a se debruçar esse ano.

Glossário:

Programa: Termo proposto pela pesquisadora carioca Eleonora Fábião para pensar uma possível via de estruturação para trabalhos de performance. Ela extraiu o termo do texto Como Criar para Si um Corpo Sem Órgãos de Gilles Deleuze e Felix Guatarri. Programa seriam as instruções, as regras que o artista estabelece para viver sua experiência performática que o desloca da lógica cotidiana. Para além das regras, que nunca devem ser abandonadas, tudo é acaso.

Dispositivo: Estratégia, jogo, agenciamento, criado através de um programa de ações, que haja de forma a desorganizar a forma cotidiana de estar/compreender/sentir/experimentar a cidade. Um dispositivo parte sempre de um programa, mas pode ser realizado através de uma deriva, de um performance, de uma cena, ou de qualquer elemento que se julgue necessário para sensiblizar os atuantes ao risco de habitar a esfera urbana.

Deriva: Termo utilizado por uma série de artistas para ações de deslocamento inusitado na esfera urbana. O nome provavelmente surge da Internacional Situacionista (IS) francesa que se propôs a repensar a cidade através propostas de uso do espaço urbano que contivessem a noção de jogo, risco e acaso. As propostas da IS foram muito influenciadas pelas idéias de Johan Huizinga em seu livro Homo Ludens. Como o nome já explicita, a proposta consiste em se dispor à experimentar a cidade fora do lógica de uso cotidiana, se por à deriva, ao acaso, ao risco, através da criação de regras inusitadas de deslocamento. A IS, por exemplo, desenvolveu ações nas quais os participantes tinham que chegar que ir de um lugar A a um lugar B seguindo às orientações de um mapa de Londres, estando fisicamente em Paris, se deslocando pela cidade e chegando em lugares que de outra forma, jamais explorariam.