Sobre Trabalhos: dispositivo#2 – deriva

Programa:

Parte 1 Estabelecer uma regra de deslocamento qualquer (EX: se eu encontar o elemento A, viro na próxima rua à direita, se eu encontrar o elemento B, viro na próxima rua à esquerda, se não encontrar nada, sigo reto, etc) e seguí-la pelo Período de 1 hora.

Parte2 Programar um despertador para tocar de 5 em 5 minutos. Ao sinal do despertador, parar onde se está e fotografar.

Local de Início:Largo da Batata, na ilha do Metrô Faria Lima.

Data:12/05/2012.

Horário de encontro inicial:14h30.

Horário de duração da deriva:15h-16h.

Participantes:Coletivo Cartográfico – Andrea Mendonça, Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Monica Lopes.

Registros Individuais:

ANDREA MENDONÇA:

Regra de deslocamento: Seguir quando vir alguém com roupa vermelha. Parar quando vir alguém de roupa verde. Seguir bonés (de qualquer cor).  Troco quando encontro outro boné. No caso do boné branco, seguir sem parar. Só pode parar se vir criança de roupa vermelha ou verde ou cachorro. Diferente das regras da deriva anterior (não posso entrar em ambientes internos), se a pessoa que estou seguindo entrar em algum comércio ou qualquer ambiente interno, sou obrigada a entrar.

 15h

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16h

CAROLINA NÓBREGA:

Regra de deslocamento: Se eu vir alguém ouvindo algo com fones de ouvido, viro na próxima rua à esquerda. Se eu vir alguém falando ao celular, viro na próxima rua à direita. Se eu vir alguém passeando com um cachorro, eu paro até que venha alguém ouvindo algo em fone de ouvido ou falando ao celular.

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16h00

FABIANE CARNEIRO

Regra de deslocamento: Se eu vir alguma demolição, reforma ou construção, dou meia volta e continuo andando. Se eu vir alguém vestido com cores quentes, viro na próxima rua à direita. Se eu vir alguém vestido com cores frias, viro na próxima rua à esquerda. Se eu vir alguém com chapéu ou boné, eu paro em frente a uma vitrine e conto até 60. A demolição, reforma ou construção prevalece sobre as cores quentes, que prevalecem sobre as frias, que prevalecem sobre o chapéu ou boné.

15h05

15h10

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15h55

16h

MONICA LOPES GALVÃO

Regra de deslocamento: Se eu vir  uma demolição eu viro a direita. Se eu vir um bar eu viro a esquera. Se eu vir uma pessoa com roupas listradas ou com listras eu viro a direita. Se eu vir pessoas com sacolas de compras eu viro a esquerda.


15h05

15h10

15h15

15h20

15h25

15h30

15h35

15h40

15h45

15h50

15h55

16h

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Sobre Trabalhos: dispositivo#1 – deriva

Programa:

Parte 1 Estabelecer uma regra de deslocamento qualquer (EX: se eu encontar o elemento A, viro na próxima rua à direita, se eu encontrar o elemento B, viro na próxima rua à esquerda, se não encontrar nada, sigo reto, etc) e seguí-la pelo Período de 1 hora.

Parte2 Ao final de 1h de percurso, retornar ao ponto de partida em até 20 minutos desenvolver escrita automática: escrever sem parar por dado período, tentando seguir o fluxo dos pensamentos sem se preocupar com a coerência do que está sendo escrito.

Local de Início:Largo da Batata, na ilha do Metrô Faria Lima.

Data:28/04/2012.

Horário de encontro inicial:15h.

Horário de duração da deriva:15h30-16h30.

Participantes:Coletivo Cartográfico – Andrea Mendonça, Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Monica Lopes.

Registros Individuais:

Andrea Mendonça:

 

Regra de Deslocamento:

Seguir quando vir alguém com roupa vermelha. Parar quando vir alguém de roupa verde. Seguir bonés (de qualquer cor).  Troco quando encontro outro boné. No caso do boné branco, seguir sem parar. Só pode parar se vir criança de roupa vermelha ou verde ou cachorro.

 

Escrita Automática:

Vermelho verde vermelho verde. Boné seguir, trocar cor, boné branco seguir ininterruptamente. Vai e volta, vai e volta, repetição constante pausas. Um boné branco sobe uma escadaria, eu não posso entrar, fico na porta. Escada branca. Muitos jovens, casais. Só posso voltar a andar quando aparecer criança de calça verde ou vermelha e/ou cachorros. Vejo a criança verde no colo da mãe, essa de blusa vermelha. Sigo.  Entrar à direita. Boné branco me fez parar em um ponto de ônibus. Cachorro amarelo. O moço do carrinho tem boné azul, sigo e a Fabi vem. Homem da casa de carnes de boné branco, sigo, e ele para no orelhão para um telefonema, talvez breve, não permaneço por conta da criança vermelha. Voltas, e vai e volta, entre encruzilhadas. Ruas. Permaneço ali e me dou conta das repetições de pessoas. As pessoas aos poucos deixam de ser desconhecidas. Senhor de calça verde e blusa vermelha de manga comprida, moça grávida de calça verde de moletom. Compras. E eu novamente passo diante do som irritante de duas caixas enormes, tocando algo meio funk. Novos bonés, quando um homem me para e pergunta se eu posso entrar no sex shop para ele. Eu digo que não, preciso continuar seguindo. Direita e segue o boné que carrega um galão vazio de água. Galão que bate na lata de lixo verde. Lixo. Loja de bicicleta. Criança que chuta uma caixa de bicicleta. Papelão vazio no meio da rua. Moço do galão olha o tempo todo para trás, eu imagino que irá parar para falar comigo, mas ele segue, eu sigo. Polícia e ele vira a direita, quando eu vejo um homem de boné branco parado em frente a uma casa. Eu passo, observo a distância, parada na esquina sob meu guarda-chuva cor de vinho. Há um restaurante onde uma senhora idosa alimenta-se. E os policiais ali permanecem. Um jovem dentro de um carro branco observa-me, parado no sinal fechado. Eu olho para ele, mas não posso perder de vista o homem de boné branco sentado. Quando antes de abrir o sinal, passa um menino forte de boné branco, eu sigo, atravessamos uma avenida, viramos à esquerda, e ele entra em uma casa verde com varandas floridas. Talvez um restaurante, eu não posso entrar. Estado de espera. Permaneço. Permaneço. E o barbudo que desce de um fusca cor de vinho me vê, mas entra rapidamente na oficina mecânica. Troca de peças. Troca de roupas, troca de cores, troca de observador. E sai de dentro da casa verde um senhor de barriga sobressaltada, uma senhora talvez esposa, e um menino de óculos. Talvez almoço? Talvez café. Cheiro de café. Vontade de café. Atrás tem outro restaurante de janelas enormes de vidro. E a chuva cai, me observam do outro lado da rua, mas ninguém se aproxima. A rua fica vazia, desejo de entrar na casa verde e procurar pelo menino de boné branco. Tecido claro. Flores na varanda. Cheiro de café. Estado de espera. Em algum momento terei que voltar, mas a vontade é entrar em todas as portas que não me permiti pelas regras. Escadaria branca, casa, casa verde, restaurantes, oficina mecânica de parede amarela, lojas. Loja de sapato? loja de roupa? loja de móvel? sex shop? Será que eu deveria entrar na próxima visita? Talvez a regra seja entrar sempre, mas preciso me perder. Não consegui me perder, apenas permanecer, e permanecer, na confusão de lugares, cores, objetos, pessoas e portas.

 

 

 

Carolina Nóbrega:

 

Regra de Deslocamento:

Se eu vir alguém ouvindo algo com fones de ouvido, viro na próxima rua à esquerda. Se eu vir alguém falando ao celular, viro na próxima rua à direita. Se eu vir alguém passeando com um cachorro, eu paro até que venha alguém ouvindo algo em fone de ouvido ou falando ao celular.

Escrita Automática:

Largo da Batata Cartografitti as ruas molhadas menina esvoaça sob grades do metro minhas pernas doem sinto latejar caminhei muito tudo e nada desconhecido sinto meus pés dentro do sapato homem de fone ao meu lado, cinco minutos atrás, viraria à esquerda o cabelo cai pelo rosto cavalos a cocheira, imagino pessoas com roupas dos anos 40 letreiro e placar corrida de cavalos mulher bonita entra no jockey prostitutas e policiais quanto mais dinheiro menos pessoas olhar atônito de menino escrever é estranho minha letra está confusa molhada e as vezes abafada o vidro abafado muitos operarios muito sujeira vertigem subir na ponte, agarro ao corrimão não tinha onde passar os carros buzinam canteiro alto da marginal pinheiros embaixo da ponte nenhuma pessoa vestígios só, cachaça moradores de rua são derivadores quanto tempo não olhava a cidade não estive perdida mas cheia de olhares e passagens a pé por onde antes só janela guarda chuva frio calor confuso tá chovendo hein aqui na  estação fala ao celular a pouco tempo seria direita o tempo muda em suas passagens mudar o tempo em suas dinâmicas não sei nada sobre o tempo ou sobre a cidade meu útero proclama sua dilatação minha mão começa a doer da escrita eu vi o rio pinheiros do alto eu tinha medo de olhar se desgrudasse do chão poderia cair? Pisei em frutas moles, no jockey a esquerda não chegava nunca e minha cabeça hora era uma chaleira quente, hora uma núvem. Apenas um cachorro com um homem, mas não passeavam e por isso eu não pude parar é estranho isso de não poder parar e no entanto não ter aonde ir será que não é sempre assim e hoje só deixa o viver mais nu? Por que nossa cabeça se povoa de linguagem se linguagem nada tem a ver com o vento que me bate as costas pela fresta da janela? Se antes via muito agora só vejo esse caderno e a minha caneta bick 4 cores e tudo em volta é um borrão. Não parar de escrever como não parar de andar como ao virar a esquerda procurar alguém com fones ou celulares mas não bastava tê-los, tinham que usá-los como há lugares com muita e nenhuma gente os operarios trabalham trabalham algumas casas fazem churrasco ouvi dentro do jockey o som do jogo e estava cheio de carros no estacionamento da vivo em dias de chuva prostitutas esperam com guarda-chuva em suas saias curtas o largo da batata é o lugar mais feio do mundo suas alturas cinzas deixam as pessoas com cara de pó uma bailarina me pergunta onde é a brigadeiro faria lima pontos de onibus em dias de chuva são especialmente tristes meu dedo dói e será que as meninas ao meu lado ainda sabem o que escrever eu ainda sei escrever? Seguro um grampo na minha mão esquerda ouço os sons do metro não desvio o olhar dessas folhas brancas que ficam poluídas como as ruas conforme garrancho seus vazios a ponte tinha plástico e mantas de algodão um homem dentro do carro falou ao celular e me salvou da marginal pinheiros ninguém me salvou de subir na ponte tortuosa que não tem lugar para pedestres. Um homem dormia num carro velho eu vi a Julia Santos dei muitas voltas em Pinheiros antes de ser jogada para o outro lado deserto vizinho dos cavalos eu não tenho nada que agora precisaria ser dito Gritam para nossa alegria a internet tem um jeito estranho de gerar cultura eu sei o que esse homem está falando todos falam ao telefone e ouvem fones de ouvido as pessoas me olhavam pouco olhavam muito o chão os homens as vezes me olhavam minha tia me ligou e eu tive que pegar onibus ao sinal de 16h30 porque estava na Ponte Cidade Jardim e por sorte sabia onde estava do onibus vi muitas demolições e um homem que estudava uma partitura de musica acho que meu dedo vai cair o metro emite sinos e uma possa está a frente dos meus pés as vezes ouço o som da Dé escrevendo e a vi cruzar as pernas como os ritmos não param de acontecer e a minha cabeça é um novelo autorepro

 

 

Fabiane Carneiro:

 

Regra de Deslocamento:

Se eu vir alguém vestido com cores quentes, viro na próxima rua à direita. Se eu vir alguém vestido com cores frias, viro na próxima rua à esquerda. Se eu vir alguém com chapéu ou boné, eu paro em frente a uma vitrine e conto até 60. Se eu vir alguém vestido com saia, dou meia volta e continuo andando. As cores quentes prevalecem sobre as frias, que prevalecem sobre o chapéu ou boné, que prevalece sobre a saia.

 

Escrita Automática:

Sábado, 28, chuva.

Muitas cores no meu caminho. Pensei que, como esfriou, estamos no outono, iria eternamente em linha reta. Cores quentes direita, cores frias esquerda, chapéu ou boné parar (em frente a alguma vitrine, pois a ideia é não chamar a atenção), saia dar meia volta (esqueci dessa regra e acabei seguindo a saia). A cor vermelha impera entre as quentes. A azul entre as frias. Não sei porque as pessoas usam boné em um dia sem sol. Tive que parar seguidamente para ver a vitrine da loja de bebê. Ainda me lembro daquela joaninha vermelha e dos carrinhos. Várias vezes na Artur de Azevedo. A Álvares Simões ou Simões Álvares também foi meu  caminho por mais de uma vez. Capacete não vale, estampado não vale. Acho que não estou infringindo a regra. O cara do bar não está entendendo mais nada. É a terceira vez que passo por aqui. Andar em círculos, ou melhor, em vários quadrados. A movimentação do meu fluxo e das linhas que me guiam é mais intensa perto da Teodoro. Subi, desci. As ruas entre ela e a Rebouças são mais tranquilas, assim ando em linha reta e parece que a tontura diminui. Sou as quadras e ruas, sou levada por essas cores que me guiam. Vermelho, vermelho, outra vez vermelho. O rosa da minha frente acabou sendo levado por ele mesmo, virou duas vezes à direita, antes de entrar na loja. Por que tantos bonés em um dia sem sol e com chuva? Não encontro nenhuma vitrine para olhar. Boné novamente. Parei. Vários chocolates. Boné de novo. Aminoácidos, suplementos. O tênis da Déa apareceu na minha frente. Amarelo puro, me fez virar à direita. Começou a chover e as ruas ficaram mais desertas. Tento ficar embaixo das marquises e árvores. Não trouxe o guarda-chuva. Rebouças novamente. Será que atravessarei o Rio? Não, o cara de verde me fez virar à esquerda. As ruas me parecem conhecidas, mas elas se confundem com as linhas que as cores fazem, com o caminho que me fazem seguir. Não escutei o celular. Já passou da hora. Como é andar sem o comando da regra imposta? Um retorno ao meu eu? As cores passam ao meu redor, mas agora sem nenhuma força. O vermelho, azul, amarelo e verde desfilam sem comandar o meu andar. Estou comigo agora. Nada me conduz. Teodoro novamente. Fiquei à deriva muito perto do ponto de partida. Já estou sentada novamente no lugar de encontro. E as pessoas vão chegando. Uma das imagens mais fortes foi a dos 2, 3, 4, 5 frentistas do posto. Todos de amarelo e vermelho me mandando para a direita, mas seus bonés me imploravam para parar na primeira loja. Foi a de chocolate. Branco, chocolate branco. Não, não quero este. A Rebouças nesse ponto é mais baixa que a Rua dos Pinheiros, onde ficava o bar, com o cara de camisa vermelha que sempre me apontava para seguir à direita. O roxo apareceu exatamente na hora em que iria virar à direita, mudanças de curso. As cores me levam e não tenho controle.

 

 

Monica Lopes:

 

Regra de Deslocamento:

 

Se eu vir uma criança ou velho/velha eu paro e observo por 5 segundos. Se eu vir um carro vermelho ou preto eu atravesso a rua. Se eu vir uma demolição eu viro a próxima rua à direita. Se eu vir um bar eu viro a próxima rua à esquerda. Se eu vir alguém vestido de listrado, ou roupa com listras eu viro a próxima rua à direita. Se eu vir alguém com sacolas de compras eu viro a próxima rua à esquerda.

 

 

Escrita Automática:

“…. entre ruas e vai e vém … listras e listrados … “listrado deve estar na moda!”

Muitos carros, percepção mais aguçada, entrar em uma rua que não se conhecia e ir sem fim em caminhos desconhecidos.

… garoa…. folhas de árvores…. casas abandonadas… casarões…. trilhas para caminhar… praça …. criança: pausar.

Dúvida de pausar, onde ir? Seguir fluxo da rua, lugares desertos, cachorros… Medo!

Atravessei a rua… flores e folhas no chão … casas com flores … pássaros…. sons de pássaros! ….casarões luxuosos… fontes…. casas de exposição espelhadas, ruas estreitas –  parecia sem saída!

Rua movimentada, bares e pessoas prontas para sair em pleno sábado à tarde, mais chuva, cheiro de chuva, caminhar e caminhar, sacolas, listras – “pareço estar andando em círculos”. Vou e volto, passo mesma rua muitas vezes em partes diferentes.

… prédios antigos …. demolições … andar e andar…. não tem ninguém … só andar …

Pausa: um velhinho! – “Parece que estou em uma cidade do interior”.

Ruas estreitas, casas pequenas, flores no chão, andar e andar. Duas indicações ao mesmo tempo! Atravessar a rua, atravessar ruas, ir e vir muitas vezes. Comecei a me perder, não sabia mais onde estava. Não sabia qual direção, não sabia onde estava. Ficaria mais tempo, mas meu corpo começou a se cansar.

… casinhas coloridas…. crianças brincando na rua….

No início só atravessava ruas, depois comecei a andar sem parar em uma rua só. A ansiedade existe! A percepção se aguça, começa-se a ouvir todos os sons. E de repente, se esta de prontidão ao menor ruído. Presença! Estar ali apenas sem nada esperar… mas havia uma angústia!….por encontrar … uma listra pelo menos em uma camisa, …. uma sacola. A necessidade de, talvez, transformar um restaurante em um bar, para… simplesmente  mudar de direção, – “fazer alguma coisa!”

Mas eu persisti e continuei. Depois me senti zague-zagueando por um número de ruas… eu sempre me deparava com a mesma rua em partes diferentes! E assim ia…

Uma rua movimentada/ o telefone tocou: uma amiga querendo sair mais tarde/ um homem com camisa listrada/ falei rapidamente no telefone e segui a caminhada.

Acho que não tenho mais o que dizer: no caminho vi muitas listras, poucos bares, algumas demolições, algumas sacolas, pouca gente na rua na maioria das vezes –  “com exceção de quando entrava em ruas movimentadas como Faria Lima, Rebouças, Gabriel!” Acabei indo parar em uma parte que acho que se chama Jd. Paulistano.

Era um alívio quando eu via um velho/velha ou criança. Parar era bom! Uma sensação boa… mas um pouco constrangedora quando eu estava em lugares muito desertos… pois as poucas pessoas me olhavam-pensando: “o que eu devia estar fazendo ali parada?”  Em vários momentos achei que alguém ia me perguntar se eu estava perdida.

As pessoas ficam mais atentas, talvez porque eu esteja mais atenta ao redor. Um homem até falou comigo. Estava feliz –  voltando para casa e disse que tinha valido a pena a balada na noite anterior.

Eu só vi um cachorro andando sozinho e uma senhora passeando com um cachorro. Nas casas grandes e luxuosas havia cachorros gigantescos.

… chão molhado…. muitas árvores… passeava por entre folhas e árvores… casarões … ruas vazias.

Agora parece que fiquei vazia, tantas imagens: no final da trajetória me deparei com uma grande árvore na rua Atlântica.

Estava começando a ficar realmente perdida, o celular não tocou – foi tocar 5 min. depois do combinado! E eu fiquei parada ali, sem saber bem o que fazer.

Em vários momentos fiquei com dúvidas. É um corpo que ía mais não ía… dividido entre ir para onde queria e onde a indicação mandava.

Um corpo entre … atravessado por tantas imagens… cheiros… gostos… quereres!

Quando ficava neste estado, pausava e sentia o turbilhão dentro do corpo! Um corpo querendo ir para vários lugares ao mesmo tempo. Um corpo em estado de pronti….”