Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em São Paulo

Coletivo Cartográfico fez uma única apresentação do espetáculo Instruções para o Colapso na Praça da Sé, em São Paulo/SP, no sábado, dia 13 de setembro de 2013, às 15h, como parte da circulação nacional do espetáculo, contemplado pelo Prêmio Funarte da Dança Klauss Vianna 2013.

A apresentação em São Paulo ocorreu em um sábado, logo após um comício eleitoral. A praça estava muito movimentada, o público contava com moradores e frequentadores da praça, turistas, participantes do comício e pessoas de público convidado, sendo, entretanto, a maioria público espontâneo. A Praça da Sé,  onde nasceu o trabalho, sempre potencializa as questões levantadas pela pesquisa, uma vez que congrega a visão do corpo em conflito com as edificações urbanas – devido ao contraste entre os corpos das performers e a arquitetura monumental da praça – e da evidência do urbano como um espaço de ocupação e autoria cotidiana – devido a presença de uma série de indivíduos distintos disputando simultâneamente os usos e sentidos da praça.

 

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Foto: Vivi Bezerra

Agenda: Única Apresentação – Instruções para o Colapso em São Paulo

Coletivo Cartográfico irá fazer uma única apresentação do espetáculo Instruções para o Colapso na Praça da Sé, em São Paulo/SP, no sábado, dia 13 de setembro de 2013, às 15h, trata-se da 2a cidade em que o trabalho será apresentado, como parte do projeto como parte da circulação nacional do espetáculo, contemplado pelo Prêmio Funarte da Dança Klauss Vianna 2013.

O espetáculo foi criado no ano passado, em 2013, com o apoio do ProAC Primeiras Obras de Dança da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, na própria Praça da Sé. Nesse momento do trabalho, no qual ele está sendo aprofundado, transformado e está passando pelos cenários mais diversos, voltar a Praça da Sé é estimulante e potencializador, afinal as poéticas, materialidades e políticas do próprio espaço foram co-autoras do espetáculo em seu processo de criação.

Instruções para o Colapso é itinerante, se iniciará em frente a Catedral da Sé…

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Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso – de volta à Praça da Sé.

por Monica Lopes

Olhando com novos prismas de possibilidades depois da circulação pelas cidades do interior de São Paulo e revisitando materiais que geraram e atravessaram os nossos corpos via procedimentos de pesquisa e criação.  Compartilho impressões do dia que fizemos um  intensivão de procedimentos na Praça da Sé, para reconhecimento do espaço. Estavamos mudando do Anhangabaú para a Sé, e este novo espaço ainda era um grande mistério para nós. Agora de volta para a Praça da Sé nestes proximos dois finais de semana, resolvi por retomar este material de apontamentos e impressões muito vivos, que ainda permanecem e se entrelaçam com as vivências distintas que se fizeram em cada uma das cidade que passamos.

Últimas duas semanas do projeto Instruções para o Colapso!!!  Depois de uma série de colapsos a temporada volta para a Praça da Sé neste final de semana.

Datas da nova temporada: dias 21 (sábado), 22 (domingo), 27 (sexta), 28 (sábado) e 29 (domingo) de Setembro na Praça da Sé! Não percam e divulguem!

Instruções para o Colapso na Praça da Sé

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Primeiro de maio, dia do trabalhador, calor intenso no início da tarde, praça da sé, centro de são paulo

circulavam muitas pessoas por ali, teve uma manifestação logo de manhã e ainda estavam desmontando todo o aparato

fizemos um intensivão de procedimentos um após o outro, sem pausa, no intuito de reconhecer este novo espaço

estavamos estávamos mudando do anhangabau para a praça da sé, meio afoitas,mudanças imprevistas da prefeitura devido a à copa das confederações e preparativos para a copa do mundo

tudo isso depois de tantas experiências e procedimentos vividos no anhangabau

um espaço completamente diferente, era o que estava diante de nós, no que concerne a pessoas era muito mais rico

uma infinidade de pessoas passavam e moravam nesta praça, mundos paralelos convivendo, respeitando, tolerando

por vezes, outras nem tanto

tivemos a oportunidade de presenciar a manifestação de moradores de rua, que acontecetodo ano, devido a uma chacina com 07 mortos – moradores de rua foram assassinados enquanto estavam dormindo

um mundo polifônico, com tempos e vozes completamente dissonantes

no meu corpo reverberaram ainda imagens, ficavam rastros, estes que invadiram um lugar íntimo, penetraram espaços subterrâneos

a repetição e as regras dos procedimentos levavam à a uma constante repetiçãodas trajetórias e, consequentemente, repetição das imagens que eram observadas: as pessoas no seu cotidiano, com micro-mudanças a cada volta que eu dava na praça

a cada repetição era possível observar mais detalhes, ver as pessoas de maneira crua –e, talvez mais nua – envolvidas em suas ações físicas cotidianas, e por vezes sem nem notar a existência deste observador externo

estar diante de uma vida íntima, lugar privado, sensação de não ter sido convidada

um olhar diretamente para o que não é visto, o que fica normalmente invisível as aosolhos no ritmo acelerados acelerado das cidades – as linhas invisíveis sociais que atravessam os lugares e territórios

o baile, o acolhimento depois de uma intensa curiosidade dos moradores de rua

no andar sem parar aleatoriamente, um desautomatizar começou a se fazer e deixava as camadas sobrepostas irem se descascando

as vontades primeiras eram desfeitas, desmanchadas, e abria-se espaço, assim, para o inesperado, o imprevisível

um procedimento após o outro, sem pausa, foram levando-me à a um estado de fruição-fluência-vulnerabilidade

o tempo se dilatou e a aproximação com o espaço e as pessoas se deu devido à a esta série de repetições do trajeto durante a deriva

era como se eu acompanhasse a história de cada uma daquelas pessoas no cairda tarde, a cada micro-mudança dentro da permanência de estar ali

as regras do chapéu e da roupa listrada me levavam sempre para o mesmo percurso

enquanto que a regra da pausa me levava a olhar, sentir a sé, em seus pormenores, vendo as pessoas em um misto de crueza e delicadeza

lembro de um sr. com manchas de sangue na testa, ele cochilava com a cabeça escorrendo para baixo, me lembrei do meu avô neste instante

uma sra. bem velhinha, com blusa vermelha, deitada, ela me olhava com tamanha profundidade cada vez que eu passava

vi outra sra. passando e lembro de alguém conversar com ela e dizer que o asilo estava para fechar, que ela devia se apressar

em outra pausa, lembro de um casal de namorados em um daqueles bancos arredondados de cimento

no baile era bastante divertido, muitas pessoas, muita festa, e um rítmo ritmo acelerado na dança

enquanto que ali na frente da igreja eu sentia um misto de turismo e cotidiano

quando eu deixei cair a fita adesiva no lago fiquei apreensiva e logo em seguida faleisem parar pela segunda vez por 10 min (um dos procedimentos do programa usado neste dia)

a primeira vez eu estava na frente da “casa abandonada”, o lugar estava vazio, só tinha eu e o vento, e uma mochila preta, que alguém esqueceu lá, e que parecia nova, com rodinhas

um homem apareceu e ficou lá sentado em uma das escadas na beirada de uma das portas das “casa abandonada”

eu via ele de longe, eu estava em frente as casas

ele gesticulava sem parar, e falava ao celular de maneira apreensiva ele falava com alguém e dizia: “você precisa parar de chorar! você precisa parar de chorar!!”

e continuava a gesticular e a falar cada vez mais alto

eu seguia falando sem parar gravando no celular e olhando para os detalhes dademolição das casas, as janelas, os vidros, as portas, as paredes, a escadaria

na segunda pausa eu estava bem perto, quase  na “Casa Abandonada”, no cruzamento bem perto do local onde os moradores de rua se concentram, mas um pouco mais perto da calçada e da rua

lá fiquei observando uma mulher de vestido amarelo e com uma blusa vermelha na cabeça

ela gesticulava e deixava as mãos moles, como se mortas, e estas balançavam soltas, enquanto ela se movia

atravessava a rua por vezes sem olhar, não se preocupava muito com os carros, nem com as pessoas, nem mesmo consigo parecia

eu fiquei ali, observando cada gesto daquela mulher, em um misto de estranhamento e curiosidade

pessoas passavam e não a viam ou fingiam não vê-la

ela era invisível

mas eu a via, e ela se movia com os gestos das mãos tapando o sol, ou balançando os braços em movimento cruzado

em certo momento ela se aproximava das pessoas, pedia algo, e continuava a gesticular com as mãos

tentou se comunicar com um casal, este a viu, mas fingiu que não viu e sairam saíram apressados, logo que puderam, quando o farol abriu

eles foram embora, e ela continuou ali neste chacoalhar de gestos e neste ir e vir no cruzamento

dali eu segui para tentativa de solucionar o problema de ter deixado a fita cair no lago

fui até uma banca de jornal e comprei uma fita adesiva e algo que parecia uma bobina de papel, o que encontrei para escrever os comandos e dar nomes aos atratores, como combinado que seria o proximo próximo passo dos procedimentos do dia

comecei, era risível a cena eu tentando ser rápida, mas deixando escorregar pelas mãos o rolo da bobina de papel, ou o canetão

sentava no chão, para melhor me acomodar e fazer o procedimento, e com isso, aos poucos comecei a me sentir em casa

as pessoas me paravam a toda a hora para perguntar o que eu estava fazendo, e as às vezes até para me ajudar, outras queriam seguir os comandos escritos, ou queriam saber o que ia acontecer, ou porque eu estava fazendo aquilo exatamente ali

elas queriam saber se era balé, teatro ou manifestação política

eu conversava com elas ao mesmo tempo que tentava dar conta de escrever os nomes e os comandos e colá-los em algum lugar visível

neste momento eu já havia aceitado a situação estava completamente envolvida com as pessoas e com o lugar

uma sra. com uma criança me perguntou porque tinha tanta gente colando estas coisas?

em uma das trajetórias eu ouvi um homem dizer: “elas estão fazendo exercício, elas fazem isto também lá no anhangabau”

outro perguntou se a gente não cansava nunca

e outro, que estas meninas adoram correr

quando voltei na casa em demolição para colar o comando, estava cheio de gente

todos os moradores de rua, que estavam concentrados mais perto das escadarias seguiram para lá para fumar crack e lá estavam

eu sentei no chão para escrever o comando, e um menino veio me indagar o que eu estava fazendo

assim que respondi, ele perguntou se eu queria ajuda e logo estava ele colando o comando para mim em uma das portas da “casa abandonada”

quando ele conseguiu colar acenei para ele agradecendo e fui me encontrar com as meninas

já era tarde, senti o celular tocando no meu bolso, era a fabi, eu havia perdido completamente a noção do tempo e estava bem emocionada

senti muitas vezes vontade de chorar e naquele momento eu me sentia demolida por dentro de muitas maneiras diferentes e simultâneas

fizemos as trajetórias e comandos de cada uma em coletivo e a transitoriedade dos espaços se deu na mudança das pessoas de lugar

começamos com a carol na “casa abandonada” junto aos moradores de rua, pequenas explosões, parede explodindo, seguimos, suspender com o vento, demolir e erguer muitas vezes com o vento, demolir-se na dança do grande “salão de festas”

observar o orador, dar voltas no guarda-chuva de sapatos

agora era eu, “grande passagem central”, seguir lentamente pelo corredor de pessoas que ficam sempre paradas sentadas olhando a movimentação da sé

explodir diversas vezes na primeira ponte, seguir e derreter-se

deslocando na segunda ponte,

ficar em pausa, olhando o lago, queda d’agua, contar até 30

seguir pelo canteiro do lago pela lateral, descer a escada pequena que leva ao lugar onde se ouve bem o som da água dentro do metrô, subir escada

segue e desce as escadarias correndo, corre até a “casa abandonada”, pausa, demolir-se por dentro, pequenas implosões 

neste momento um moço veio conversar com a gente, perguntou se a gente tinha sido

assaltada, afinal porque estavamos estávamos correndo? pedimos desculpas e falamos o que estavamos estávamos fazendo

ele abriu um imenso sorriso e disse que ficassemos ficássemos a à vontade, pois ali eles eram todos amigos dele e que ninguem ninguém ia mexer com a gente

ficamos um tempo ali em silêncio, com pequenas demolições

seguimos, era a dea agora: “salão de festa”, baile a céu aberto, observar a moça de vestido verde, dar voltas no guarda-chuva dos sapatos, orelhão cair, subir escada da igreja catedral, mover no entre-espaço, se demolindo lentamente até a banca de jornal, desmoronar

caminhar em linha reta em volta da banca de jornal

vai até a outra banca, senta e vê o movimento

agora fabi, senta embaixo de uma árvore, se ancora e sobe se segurando nos galhos

sobe e desce dos muros, sobe saltando e pula, vento do inflar no lugar de estender roupas, andar lentamente e depois se mover inflando no vento, ancorando nos bancos, e correr atras atrás da fabi, sentar e apenas observar.

 

Agenda: Nova Temporada Instruções para o Colapso na Praça da Sé

Por causa de um acidente, de um machucado, da necessidade de cuidar do trabalho e de uma de nós, permitimos que nosso planejamento entrasse em colapso e novos rumos surgissem. Agora, voltaremos para a Praça da Sé depois de viajar para Campinas, Piracicaba, Santos, São Bernardo e Santo André… Por mais que há pouco tempo atrás isso não fosse o imaginado, terminar o projeto na Praça da Sé, sua casa, soa como uma despedida potente…

Duas últimas semanas de projeto… Depois de uma longa jornada que se iniciou em fevereiro!

Últimas apresentações de Instruções para o Colapso!!

Dias 21 (sábado), 22 (domingo), 27 (sexta), 28 (sábado) e 29 (domingo) de setembro de 2013, as 15h, na Praça da Sé.

Início em frente a escadaria da Catedral. Caso chegue atrasado e já tenhamos começado, nos procurem pela praça…

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Sinopse: Intruções para o Colapso foi criado na e para a rua, trata-se de uma indagação (embate), das relações movediças do cotidiano em grandes cidades, a partir do choque do corpo no asfalto – Uma investigação das relações de transformação, demolição, violência e construção insistentemente tecidas na malha urbana, exigindo dos corpos disposição ao colapso.

Ficha Técnica do espetáculo/performance:

Criadoras-Performers: Integrantes do Coletivo Cartográfico – Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Monica Lopes

Direção: Coletivo Cartográfico

Concepção Inicial: Coletivo Cartográfico e Andrea Mendonça

Concepção: Coletivo Cartográfico

Preparadores corporais: Henrique Lima e Jerônimo Bittencourt

Provocador artístico: Alex Ratton

Oficina – Demolições Corporais: Natalia Fernandes

Concepção de Trilha Sonora: Felipe Merker Castellani e Coletivo Cartográfico

Produção: Viviane Bezerra

Concepção de Cenário: Coletivo Cartográfico

Concepção de Figurino: Coletivo Cartográfico

Agenda: Estreia e Temporada de Instruções para o Colapso

Cartaz_instruçõesparaocolapso_finalFicha Técnica do espetáculo/performance:

Criadoras-Performers: Integrantes do Coletivo Cartográfico – Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Monica Lopes

Direção: Coletivo Cartográfico

Concepção Inicial: Coletivo Cartográfico e Andrea Mendonça

Concepção: Coletivo Cartográfico

Preparadores corporais: Henrique Lima e Jerônimo Bittencourt

Provocador artístico: Alex Ratton

Oficina – Demolições Corporais: Natalia Fernandes

Concepção de Trilha Sonora: Felipe Merker Castellani e Coletivo Cartográfico

Produção: Viviane Bezerra

Concepção de Cenário: Coletivo Cartográfico

Concepção de Figurino: Coletivo Cartográfico