Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Palmas – TO

Saímos de São Paulo e fomos para Palmas, em Tocantins –  a distância e a oposição já é experienciada em sua cartografia aérea, avistada do avião antes mesmo de se chegar ao chão. Uma sensação de deslocamento espacial e temporal. Para começar Palmas é uma cidade razoavelmente nova, com apenas 25 anos de existência e é planejada, com suas intermináveis rotatórias. São Paulo por sua vez é uma cidade velha é caótica, caracterizada pela organização aleatória e construída a partir da ocupação das pessoas no decorrer de muitos anos.  É uma cidade onde ninguém é de lá, são todos estrangeiros em sua própria terra, algo que me parece se assemelhar com características de São Paulo (de outra forma, claro!), por sua transformação tão constante  e suas ocupações sempre tão efêmeras.  Essa sensação de “estrangeirismo” também nos tocou ao trazer um trabalho com características muito específicas do universo urbano da cidade de São Paulo, o deslocamento do imaginário foi inevitável e novamente a co-autoria com o espaço/contexto se fez presente na realização do trabalho.  Trabalho este criado inicialmente na Praça da Sé, marco zero de São Paulo.  Por coincidência dançamos também no marco zero de Palmas, na Praça dos Girassóis, que falarei um pouco mais para frente.

O clima é bem seco neste período do ano – até mais seco do que anda o clima em São Paulo atualmente – e Palmas é considerada a capital mais quente do Brasil. Pudemos vivenciar duas experiências bem distintas com uma apresentação na Praça dos Girassóis, no centro de Palmas, e outra em uma região mais periférica, na Praça da Matriz, em Taquaralto. Dois universos bem diferentes, e como bem dizem as pessoas que moram lá, “parece até outra cidade”.  A Praça dos Girassóis é a segunda maior Praça do Mundo e por sua vastidão de território me parece ser ainda pouco ocupada. Também devido ao clima muito quente é mais ocupada nos fins de tarde e noite, onde as pessoas fazem caminhadas.  Fizemos a apresentação as 17 horas e contamos também com o público específico do   Convergência 2014 – Mostra de Performance Arte do SESC Tocantins, no qual estávamos inseridos na Programação.  No outro dia, fomos para Taquaralto pela manhã, um bairro de Palmas mais periférico, mais popular, e semelhante às cidades satélites de Brasília, onde a ocupação é mais caótica e intensa.  A Praça da Matriz onde dançamos é o local das propagandas políticas, uma ilha povoada por muitas pessoas, muitos passantes, e muitas crianças; local de intenso comércio formal e informal, com livre trânsito caótico de carros e seus jingles políticos, dando voltas na praça durante toda a manhã –  e, de fato, o Instruções para o Colapso neste dia teve uma nova trilha sonora. Os moradores se vangloriam da autonomia deste bairro diante do centro de Palmas, dizendo existir tudo nesta região para os moradores viverem com tranquilidade.  Foi uma experiência bem intensa para o Coletivo Cartográfico, percebendo o quanto o atravessamento do público em sua constante provocação e co-autoria é importante para este trabalho.

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O Coletivo Cartográfico também realizou uma oficina em Palmas, na UFT –  Universidade Federal do Tocantins – devido a parceria com a artista Thaíse Nardim.  A oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas foi realizada no dia 02 de setembro, uma terça-feira, das 19-22h com a participação de 27 alunos de variados cursos da UFT.

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UFT oferece oficina de performance a estudantes de Palmas

Agenda: Instruções para o Colapso em Palmas-TO

Nesse mês de agosto iniciam-se as ações do projeto Instruções para o Colapso – Circulação contemplado pelo Prêmio Funarte da Dança Klauss Vianna 2013.

O espetáculo de dança contemporânea criado na e para a rua, Instruções para o Colapso, foi criado durante o ano de 2013 – com o apoio do ProAC Primeiras Obras de Dança da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Trata-se de uma pesquisa de dança em interface com a linguagem da performance, na qual as integrantes do coletivo investigam um corpo-de-risco de uma dança que colide com a rua. Trata-se de um trabalho que a cada apresentação vive um novo processo de co-autoria radical com o contexto de sua realização.

Circular, portanto, com o espetáculo, significa pra o Coletivo Cartográfico, dar continuidade e aprofundamento a essa pesquisa de uma dança inconclusa, disposta ao atravessamento, a partir dos contextos radicalmente diversos nos quais o espetáculo será apresentado.

As primeiras apresentações do projeto serão nos dias 29 de agosto (16h30) e 30 de agosto (09j00) na cidade de Palmas – TOCANTINS, em parceria com o Convergência 2014 – Mostra de Performance Arte do SESC Tocantins.

Nessas primeiras ações do Projeto, portanto o trabalho irá até o Norte do país, colidindo a pesquisa em dois diferentes espaços de Palmas, deixando que o trabalho se ressignifique completamente, revelando o local às integrantes do Cartográfico, a partir da perda de fronteiras entre suas peles e o chão da cidade.

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