Sobre Trabalhos: rastro#5 || paroxismo

rastro#5 || paroxismo foi concebido para a Luz, São Paulo/SP, e integrou a programação da Virada Cultural 2015, no dia 21 de junho, das 14h-16h. A série de intervenções coreográficas site-specific rastros, desenvolvida pelo Coletivo Cartográfico desde 2014, envolve a criação de um roteiro coreográfico que deixe algum desenho no espaço, concebido a partir de especificidades do território.

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|| paroxismo ||

|| crise aguda, exacerbação periódica dos sintomas durante a evolução de uma doença ||

|| Luz || urbano através do rural || pelos trilhos || para o café || avança a cidade ||

|| Luz || fecha a primeira coroa dos bairros a que chamamos centro ||

|| fronteira tensiona tempos e agentes da cidade ||

|| catálise ||

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|| local || em frente a Estação da Luz ||

 || materiais || 45kg de café em pó || 3 potes ||

     ||  3 baldes de lona encerada para transporte de carga ||

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|| 1a fase || construção ||

 || despejam todo café no canteiro central da rua ||

|| com os potes, enchem completamente os 3 baldes de lona com café  ||

  || cada uma coloca um dos baldes pendurado sobre o pescoço ||

|| colocam-se lado a lado, no leito da rua, junto a faixa de pedestre, olhando para oeste ||

|| colocam as mãos dentro do balde, pegam um punhado de café em cada ||

|| colocam as mão nas laterais do corpo ||

|| caminham para frente deixando o café cair das mãos ||

|| desenham linhas paralelas vacilantes aos seus lados ||

|| seguem alguns metros para frente || depois retornam || seguindo o trilho de café ||

|| repetem as idas e vindas || uma a uma criam desvios || encruzilhadas ||

|| invadem a paralela da outra ||

|| quando o café acaba || voltam a abastecer o balde a partir da pilha no canteiro central ||

|| seguem os trilhos despejando o café, até ele acabar completamente ||

|| saem do desenho || deixam os baldes na calçada || observam ||

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|| 2a fase || destruição ||

 || uma a uma, elas lançam-se sobre o chão, sobre o desenho ||

    || permanecem até borrarem sua coerência ||

|| deixam vestígios ||

Fotos: Viviane Bezerra

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Agenda: 1o CTU – Composições Transitórias Urbanas

Coletivo Cartográfico foi convidado pelo Cambar Coletivo para participar do 1o CTU – Composições Transitórias Urbanas – “Minifônica”, que irá acontecer hoje, dia 18 de abril de 2015, das 15h-18h, na Rua Barão de Itapetininga em São Paulo/SP.

As CTU são eventos artísticos de caráter transdisciplinar com intuito de problematizar as dinâmicas relacionais nos espaços públicos das cidades, criadas pelo CAMBAR Coletivo. Abordam questões sobre os comportamentos corporais do cidadão comum neste tipo de espaço, focando num estudo sobre as sonoridades produzidas, encaradas como dispositivos para as ações a serem criadas. Estas ações se alimentam de inquietações acerca da noção de trabalho, produtividade, consumo e impessoalidade nutridas pelo ritmo frenético dos centros comerciais das grandes cidades. Envolvendo ainda, a noção de convivência, espaço pessoal e compartilhado, fronteiras, pertencimento, o estrangeiro como ‘the outsider’, globalização e terrritórios. Buscando detectar possíveis momentos de atrito e enlace, para através deles gerar espaços de solturas e pequenas transformações na maneira como habitamos estes espaços e nos relacionamos uns com os outros.

Maiores informações sobre a pesquisa e trabalho do CAMBAR Coletivo em seu site e Facebook!

 

1 CTU- Composições transitórias Urbanas

Sobre Trabalhos: Relatos do Início – O Anhangabaú…

Começo. Vale do Anhangabaú era nosso espaço-sede, por sua história de reconstruções, por suas riquezas espaciais… mas, um projeto chama seu tema: corpo-cidade e suas inconstâncias, colapso imanente.

O Anhangabaú ao fim de semana era vasto e vazio. Preenchido de pequenas solidões dispersas. Nossos poucos corpos, perdiam-se em sua vastidão. Derivamos, de maneiras diversas. Nomeamos seus espaços para melhor caber. O Anhangabaú era quase quinzenalmente preenchido por grandes eventos de todas as naturezas. Dia da mulher. Show de hip-hop. Evento evangélico. Os eventos nos engoliam, tornando nossos corpos inviáveis.

Ainda assim, talvez quixotamente, decidimos enfrentar o gigante-moínho, e desdobrar suas possibilidades ativas, encarando tudo que o espaço demolia em nós como potência.

Mas eis que mais impossibilidades se acumularam. Aquele espaço é palco do principal telão de copa do mundo há anos… lá seria montado o telão da copa das confederações e, pior do que isto, entraria em reforma no segundo semestre para a copa do mundo de 2014…

Desistimos. Demolições demais. Corpo frágil… decidimos ir para a Sé.

Mas, aqui, postamos procedimentos iniciais do processo… do qual de derivas e aproximações com o Vale, surgiram mapas, percursos, gravações e imagens de lugares por nós renomeados… Compartilhamos portanto, alguns materiais criados em março, que podem disparar possíveis experiências no trato coreográfico com a cidade:

A partir destas cartografias, nós renomeamos diferentes espaços do Vale, como se vê:

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Sobre Trabalhos: Novo projeto – Instruções para o Colapso

Coletivo Cartográfico em 2012 foi contemplado pelo edital ProAC de Apoio a Projetos de Primeiras Obras de Produção de Espetáculo e Temporada de Dança no Estado de São Paulo, com o projeto Instruções para o Colapso.

O projeto será de fato o primeiro trabalho do Coletivo que tomará ao final a forma de um espetáculo – tendo até então trabalhado com residências, performances, derivas, intervenções e pesquisas corporais não abertas à público. Instruções para o Colapso será um espetáculo de dança contemporânea a ser desenvolvido e apresentado na rua, a partir da relação direta de risco e escuta entre corpo e cidade. Ao decorrer do processo de criação, entretanto, serão desenvolvidas uma série de programas performativos, bem como uma oficina de criação aberta ao público.

As pesquisas para a criação do espetáculo terão início agora em fevereiro de 2013, sendo a previsão de estréia e temporada do trabalho em agosto deste mesmo ano, e uma circulação por algumas cidades do interior do Estado de São Paulo, prevista para setembro. Todo o processo de criação e pesquisa e as ações envolvidas nele poderão ser acompanhadas através de artigos que serão constantemente postados neste blog. Trata-se de um projeto que será desenvolvido de forma auto-gestionária pelas integrantes do Coletivo, ou seja, a concepcão e a direção da pesquisa serão constantemente desenvolvidas pelas próprias integrantes do Cartográfico, contando, todavia, com o auxílio, a preparação e a provocação de alguns artistas convidados.

Um pouco acerca da pesquisa que envolve Instruções para o Colapso:

As integrantes do Coletivo compreendem a cidade como um sistema em constante mutação. A arquitetura, uma marca humana que supostamente sobreviverá ao homem, é também despida em sua fragilidade, a partir de demolições e construções. Dessa maneira é da própria natureza urbana exigir ao homem estar em constante deslocamento e adaptação, não há descanso. O corpo urbano, portanto, sendo paisagem, é também um campo-arquitetônico móvel, apto à demolições e construções.

Instruções para o Colapso investigará paisagens e arquiteturas  corpo-espaciais como sistemas de significados que são construídos e re-construídos a todo tempo, buscando novas possibilidades desse estar urbano impermanente.

O Coletivo Cartográfico explorará a impossível estabilidade do corpo que vive a experiência urbana, que tenta e não consegue definir para si uma identidade. Procura-se estabelecer uma ilusão de estabilidade, uma situação de descanso e compreensão que imediatamente se desfaz, sendo novamente obrigado a se demolir e se readaptar a novas situações de existência que o espaço e suas infinitas inter-relações sugerem ou exigem.

Equipe envolvida no projeto:

Concepção, Criação e Performance – Integrantes do Coletivo Cartográfico: Andrea Mendonça, Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro, Monica Lopes

Direção: Coletivo Cartográfico

Preparadores corporais: Henrique Lima e Jerônimo Bittencourt

Provocador artístico: Alex Ratton

Trilha Sonora: Felipe Merker Castellani

Produção: Viviane Bezerra

Agenda: A Chegada na Caixa de Abelhas

Hoje, na VI Mostra de Fomento à Dança, tem a primeira exibição do vídeo “A chegada na caixa de abelhas ou epidemia de dança e outras aflições”.

O Núcleo Cinematográfico de Dança convidou o cineasta e artista plástico Pedro Palhares para realizar um vídeo de uma performance intitulada “experimentações fora do lugar”*,  em parceria com a bailarina e performer Carolina Nóbrega,  nas ruínas do Complexo do Carandiru, mas não como um registro, e sim como um filme de ficção. Como ele poderia se infiltrar naquela ação, e enquanto filmava deveria já ir editando. Nesse sentido, foi também necessário vir com uma idéia prévia de sua concepção estética, pois nada poderia ser reeditado ou modificado.

Participaram da performance: Coletivo Cartográfico, Núcleo de Garagem, Janaina Carrer e Tamara Ka.

“Por uma Experiência outra;
Pelo improviso do olhar ao encontro do corpo
– pelo improviso do corpo ao encontro do olhar.
Como sair de um lugar escuro sem abrir os olhos, sem sentir o batimento do corpo?
Somos agora um só corpo&olho.”
(Pedro Palhares)
 
 
VI Mostra de Fomento à Dança
05.09.12  20h
Galeria Olido – Acervo de Dança
Av. São João, 473 – São Paulo
* “Experimentações fora do lugar“ foi uma das intervenções realizadas em 2012, dentro do “1o. Intercâmbio de idéias e ações: deslocamentos einstantâneos“,  do Núcleo Cinematográfico de Dança, através da 10a. Edição do Fomento à Dança

www.cinedanca.com

nucleodegaragem.blogspot.com.br

Sobre Trabalhos: dispositivo#3 – deriva

Programa:

O programa envolveu duas etapas que combinaram duas derivas diferentes.

Etapa 1: Estabelecer uma regra de deslocamento qualquer (EX: se eu encontar o elemento A, viro na próxima rua à direita, se eu encontrar o elemento B, viro na próxima rua à esquerda, se não encontrar nada, sigo reto, etc) e seguí-la pelo Período de 1 hora e meia. Ao início da deriva ligar um gravador e o deixar rodando ao longo de todo o período. A cada elemento encontrado, dizer o comando na gravação (EX: Vire a próxima a direita)

Etapa 2: Partindo do mesmo ponto inicial, os participantes da Etapa 1 trocam as gravações e desenvolvem uma nova deriva durante todo o período da gravação em questão obedecendo à todos os comandos.

Local de Início: MASP – Av. Paulista.

Participantes: Coletivo Cartográfico – Andrea Mendonça, Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Monica Lopes.

Registros Individuais:

ANDREA MENDONÇA:

Gravação (Etapa 1) desenvolvida no dia 27/06/2012 durante o período de 17h a 18h10, seguindo as regras de deslocamento: Se eu vir uma pessoa com roupa vermelha sigo, se vir pessoa com roupa verde paro. Se vir uma criança entro em uma loja ou atendo o orelhão e fico por 1 minuto. Se eu vir um boné branco, viro a direita. Se eu vir um boné azul, viro a esquerda. Se eu vir um cachorro, paro aonde estiver, observo o espaço e fico por 1 minuto. Se eu vir duas crianças juntas dou meia volta e continuo caminhando.

Segue abaixo um vídeo com o audio realizado durante a ação:

A gravação gerou a deriva de Carolina Nóbrega na Etapa 2 no dia 14/08/2012 das 14h20-15h30.

CAROLINA NÓBREGA

Gravação (Etapa 1) desenvolvida no dia 09/06/2012 das 15h-16h30, seguindo as regras de deslocamento: Se eu vir alguém ouvindo algo com fones de ouvido, viro na próxima rua à esquerda. Se eu vir alguém falando ao celular, viro na próxima rua à direita. Se eu vir alguém passeando com um cachorro, ou fumando eu paro e conto até 60, depois volto ao que estava sendo feito antes. Se eu vir alguém andando de bicicleta ou skate, eu dou meia volta e sigo no sentido oposto.

Segue abaixo um vídeo com o audio realizado durante a ação:

A gravação gerou a deriva de Andrea Mendonça na Etapa 2 no dia 23/06/2012 das 15h-16h30.

FABIANE CARNEIRO

Gravação (Etapa 1) desenvolvida no dia 09/06/2012 das 15h-16h30, seguindo as regrasde deslocamento: Se eu vir, na esquina, um edifício comercial ou comércio no térreo, viro à direita. Se eu vir, na esquina, um edifício residencial, viro à esquerda. O comercial prevalece sobre o residencial. Se eu vir alguma demolição, reforma ou construção, dou meia volta e continuo andando. Se eu vir escola, museu ou igreja, eu paro e conto até 60.

Segue abaixo um vídeo com o audio realizado durante a ação:

A gravação gerou a deriva de Monica Lopes Galvão na Etapa 2 no dia 23/06/2012 das 15h-16h30.

MONICA LOPES GALVÃO

Gravação (Etapa 1) desenvolvida no dia 09/06/2012 das 15h-16h30, seguindo as regras de deslocamento: Caso vir um bar ou uma pessoa com roupas listradas/ou com listras, viro a direita. Caso vir alguém de terno ou falando no celular, viro a esquerda. Caso vir um senhor ou senhora de idade, paro, conto até 5  e observo o local.

Segue abaixo um vídeo com o audio realizado durante a ação:

A gravação gerou a deriva de Fabiane Carneiro na Etapa 2 no dia 23/06/2012 das 15h-16h30.

Agenda: 1o.intercâmbio de idéias e ações

O Coletivo Cartográfico foi um dos coletivos convidados pelo Núcleo Cinematográfico de Dança para participar do 1o.intercâmbio de idéias e ações: deslocamentos e instantâneos em uma intervenção com filmagem e edição ao vivo, que será desenvolvida no Parque da Juventude.

A proposta da ação foi concebida por Carolina Nóbrega, integrante do Coletivo. Serão experimentações nas ruínas do parque, principal memória que restou do presídio do Carandiru, as celas, as caixas. O enquadramentos nos moldes sociais e a ruptura através da dança sem controle: Tarantismo e dançomania.

A ação será no dia 25/05/2012, nas ruínas do Parque da Juventude, em São Paulo, das 15h-17h.

Maiores informações:

http://www.wix.com/cinedancas/intercambio#!