Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Curitiba – PR

A Circulação nacional do Coletivo Cartográfico com apresentações do Instruções para o Colapso  e a realização de  uma série de outras atividades propostas – oficinas e trocas artísticas com grupos parceiros – trouxe a possibilidade de  um olhar mais aprofundado e calmo devido a oportunidade de permanecer por mais  tempo em cada uma das  localidades.

Permite-se assim uma tentativa de aproximação, nem sempre válida, nem sempre precisa o suficiente, nem sempre com a profundidade necessária para entender as complexidades dos emaranhados de entendimentos de cada contexto. Estas impressões me parece se fazem a partir de um olhar de viajante – de estrangeiro –  que permitem  um certo distanciamento, uma possibilidade de rever o trabalho sobre outras óticas.  E, além disso, um olhar curioso ao se colocar na situação de experiência única em cada espaço com suas singularidades.  O olhar sempre é um recorte de quem observa amarrado sempre as experiências pessoais e contextos históricos.

Transitamos principalmente pela região central de Curitiba. E a partir dos relatos das pessoas nos deparamos com camadas de realidades da cidade, tempos distintos convivendo e se atravessando no cotidiano urbano.  A percepção mais aguçada se relaciona com outras formas de ocupar a cidade, outras dimensões de rua e de calçadas. Curitiba é uma cidade muito agradável de caminhar a pé, devido a esta dimensão do pedestre, que me parece ser sempre pensada. A dimensão mais larga das ruas permite-se respirar mais, e a possibilidade de ver muitos bancos de madeiras e fontes nos passeios públicos traz um conforto de quem vem de uma cidade que passa por um processo de seca tão intenso e de uma cidade que não se preocupa em prover espaços de convívio e de estadia no contexto urbano. A mobilidade urbana também provoca reflexões, as famosas Estações-tubo, que pela única experiência que pudemos ter nos possibilitou viver uma forma de resolução bem interessante e possível para grandes centros urbanos.

As apresentações do Instruções para o Colapso foram realizadas na Praça Santos Andrade nos dois dias, o que possibilitou uma experiência de adensamento com o espaço publico e diálogo maior com quem convive com a Praça e se relaciona com ela em seu cotidiano.  A praça é considerada como um marco cultural da cidade, pois em seu entorno encontram-se dois dos principais pontos históricos e culturais de Curitiba, o Campus Prédio Histórico da UFPR e no lado oposto o Teatro Guaíra. O entorno da praça sofreu grandes transformações ao longo do século XX com o desaparecimento do casario da velha Curitiba para abrir espaço para modernos edifícios O colapso se relaciona com estas constantes transformações da cidade, e suas camadas de ocupação visíveis mesmo com o passar do tempo. Esta Praça também é próxima da Rua XV de novembro (ou Rua das Flores) – primeira grande via pública exclusiva para pedestres do Brasil, inaugurada em 1972.

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Foto: Miriane Figueira

O Coletivo Cartográfico também realizou a Oficina Corpo Cidade | Performances Urbanas Coreográficas na Universidade Estadual do Paraná-Unespar, integrando a programação do 1.o INTERARTE.  A oficina  foi realizada no dia 30 de setembro, uma terça-feira, das 15-18h com a participação de 19 alunos de variados cursos da Unespar.

Na oficina também nos deparamos com este aspecto de estrangeiros. Como se colocar em espaço alheio com cuidado e ao mesmo tempo promover um estado provocativo – propondo questionamentos.  A FAP esta passando por transformações – de faculdade para universidade, de FAP para Unespar. Um momento de crise e luta, um conflito iminente relacionado a ocupação e urgência de novos espaços. O Coletivo Cartográfico chegou em meio a estas mudanças e utilizou de um prédio em construção –  espaço este que permanecia enquanto não-lugar, um espaço ainda a ser ocupado e contruído coletivamente para uso público. Nossa proposta de ocupação aflorou diversos questionamentos já existentes sobre o uso do espaço e suscitou reflexões que devem permanecer. O não controle do que se provoca/ e de como se é provocado é algo que nos interessa – esta reverberação que permanece mesmo depois do atravessamento…

 

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Agenda: Oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas em CURITIBA/PR

O projeto de circulação nacional do espetáculo Instruções para o Colapso, contemplado pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013, conta com uma série de outras ações de troca artística com as cidades, para além das apresentações do trabalho, uma delas, é a oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas.

O Coletivo Cartográfico investiga as relações co-traumáticas do corpo com a cidade. Para tal, desenvolveu metodologias de trabalho que trafegam na interface da dança contemporânea com a linguagem da performance. Na oficina, as integrantes do Cartográfico irão partilhar algumas de suas referências, estratégias e dispositivos de criação, oferecendo percursos para preparação do corpo ao risco do impacto com a rua; para a criação de ações performativas em diálogo com a esfera urbana; e para a percepção da cidade como fluxo coreográfico.

Em Curitiba, a oficina irá acontecer no dia 30 de setembro, das 15h-18h, como parte da programação do 1o INTERARTE  – um evento extensionista da Universidade Estadual do Paraná, Campus de Curitiba II – FAP, que acontecerá entre 30 de setembro e 03 de outubro de 2014. Trata-se de um encontro que tem como finalidade fomentar uma ação interdisciplinar acerca da produção e ensino da Arte pelos cursos de graduação da Unespar-FAP, professores da educação básica e comunidade em geral.

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Agenda: Instruções para o Colapso em Curitiba – PR

No final do mês de setembro, o Coletivo Cartográfico segue para a terceira cidade do projeto de circulação nacional do espetáculo Instruções para o Colapso contemplado pelo Prêmio Funarte da Dança Klauss Vianna 2013.

Dessa vez, o trabalho será re-criado e apresentado na cidade de Curitiba, no Paraná, nos dias 27 e 28 de setembro, as 15h, na Praça Santos Andrade.

A circulação, que se iniciou no norte do país, encaminha-se agora para seu outro extremo, o sul, colapsando com um novo asfalto, um novo território, disposto às transformações, atravessamentos e co-autorias que esse encontro irá alavancar.

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