Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Fortaleza e Itapipoca/ CE

Em continuidade com a circulação nacional de Instruções para o Colapso, contemplada pelo Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013 fomos então para a ultima cidade, para Fortaleza, segunda cidade no Nordeste neste projeto. No ceará o Coletivo apresentou o Instruções para o Colapso na cidade de Fortaleza, no dia 08 de novembro, as 11h, na Praça do Ferreira. E realizou a oficina e a Incubadora de criação em Itapipoca, em parceria com a Cia. Balé Baião de Dança Contemporânea – coletivo este que mantêm relações de afinidade de pesquisa com trabalhos de intervenção urbana, performance e longa jornada de trabalho com projetos pedagógicos em Itapipoca e nos arredores do interior do Ceará.

A apresentação em Fortaleza se realizou numa manhã de sábado, dia 08 de novembro, as 11h, na Praça do Ferreira. Nos sábados a Praça do Ferreira fica bem viva e cheia de pessoas devido aos comércios abertos até as 13h e grande quantidade de feiras ou barracas com venda de objetos e produtos dos mais variados.  A região central é bem ocupada tanto por pessoas fazendo compras, quanto a trabalho ou a passeio. A Praça do Ferreira se encontra próxima do Teatro José de Alencar  e da Praça José de Alencar, que atrai uma quantidade enorme de pessoas para passeio e compras. O público que veio assistir ao trabalho foi bem variado. Havia público convidado, mas grande parte do público era espontâneo, que circulava pela Praça no momento do espetáculo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Felipe Araújo

Em Itapipoca, a oficina Corpo Cidade | Performances Urbanas Coreográficas ocorreu a partir de uma parceria com a Cia. Balé Baião de Dança Contemporânea. Essa oficina foi realizada nos dias 04, 05 e 06 de novembro de 2014, das 8h30 as 11h30 , na Lona de Maria – Circo Escola de Itapipoca, em Itapipoca/CE. A Cia. Balé Baião  é atuante há 20 anos em Itapipoca (Litoral Oeste do Ceará e Vale do Curu), e vem desenvolvendo um trabalho pioneiro de pesquisa, criação, formação continuada e difusão de dança contemporânea no interior cearense. Fomentam e promovem pesquisas artístico-pedagógicas  no Galpão da Cena e no Circo Escola de Itapipoca, também chamado de Lona de Maria. A parceria se deu no Circo-Escola, um dos braços de ações do grupo, que tem a ação político-social como uma de suas principais inquietações e que funciona dentro de uma escola pública.  A oficina se desenvolveu a partir do aprofundamento de experiências a cada dia, compartilhando questões e pesquisas do Coletivo Cartográfico com fisicalidades, e com o estar no embate direto com a rua, através de ações de intervenção urbana. Nesta oficina, por ser mais longa, tivemos a possibilidade de propor ações nos arredores do Circo Escola, com a intenção de se relacionar diretamente com a comunidade e com os moradores do entorno do Circo Escola.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Cacheado Braga

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Monica Lopes

Em Itapipoca a Incubadora de Criação foi realizada em parceria com a Cia. Balé Baião de Dança Contemporânea. Dirigida por Gerson Moreno (coreógrafo e pedagogo), a Balé Baião apresenta em seu repertório espetáculos montados em processos colaborativos. Suas questões estão relacionadas ao Corpo Contemporâneo e sua pesquisa tem como base jogos de composição desenvolvidos pela Balé Baião e de residências, intercâmbios com artistas e coreógrafos convidados.  Atualmente a Cia. Balé Baião gerencia a Associação de Artes Cênicas de Itapipoca (AARTI), e tem como sede de suas ações uma antiga serraria de imóveis doada pelo pai de Gerson Moreno. Nesse espaço hoje chamado Galpão da Cena funcionam núcleos permanentes de formação: Escola Livre de dança balé baião (núcleo iniciante), Cia Rebentos de dança (núcleo veterano de jovens bailarinos), núcleo de percussão Tambores Afro Baião e o núcleo de artes audiovisuais Advento, todos acompanhados pedagogicamente pelos artistas docentes da Cia. Balé Baião.

A Incubadora de criação se deu no formato de residência artística  e se realizou em uma casa ao lado do Galpão da Cena, onde as integrantes do Coletivo Cartográfico puderam estar em constante troca com a Cia. Balé Baião e suas atividades artístico-pedagógicas cotidianas.  Através de uma convivência diária durante 4 dias (do dia 3 a 6 de novembro/ 2014), a Incubadora se realizou enquanto troca artística no dia a dia das ações fomentadas tanto no Galpão da Cena quanto no Circo-Escola de Itapipoca. No primeiro dia do Coletivo Cartográfico em Itapipoca uma atividade do Galpão da Cena em parceria com a Bienal de Par em Par 2014 foi realizada e assim as integrantes do Cartográfico puderam participar de uma oficina do Grupo Gira Dança de Natal, Rio Grande do Norte, e assistir a um espetáculo deles – o Proibido Elefantes.

Durante a semana o Cartográfico também participou da aula regular de Danças Negras, sob orientação de Gerson Moreno e assistiu o espetáculo Negrume, da Cia. Balé Baião, no dia 5 de novembro de 2014, no Teatro Carlos Câmara, em Fortaleza, CE – seguindo de ônibus com a equipe e integrantes da Cia. Este espetáculo acabara de circular por várias comunidades quilombolas no Nordeste afora. A Cia Balé Baião está no processo de escrita de um livro sobre os 20 anos de trajetória da Cia. e assim pudemos partilhar de questões e inquietações relacionadas a este momento; além de compartilhar as pesquisas de criação do Coletivo durante o realizar da oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas em 3 dias consecutivos, no Circo-Escola, onde participaram tanto integrantes da Cia Balé Baião quanto da Cia. Rebentos, e também alunos jovens da Escola livre e do Circo Escola.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Para mais informações sobre a Cia. Balé Baião de Dança Contemporânea, segue o site:

Cia. Balé Baião de Dança Contemporânea

Anúncios

Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Recife/PE

Seguimos para Recife, em Pernambuco, a primeira cidade do Nordeste da circulação nacional do Instruções para o Colapso, contemplada pelo Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013. A apresentação integrou a programação do Festival CENA CumpliCidades, um festival internacional que integra diversas linguagens artísticas e ações culturais distintas, buscando ocupar diferentes espaços das cidades de Olinda e Recife, apostando na arte como via de apropriação, questionamento, tensão e transformação da esfera urbana.

O espetáculo Instruções para o Colapso foi apresentado no dia 01 de novembro, as 11h, na Praça do Diário.  A Praça do Diário está localizada bem ao centro de Recife e caracteriza-se por possuir uma alta complexidade de ocupações e usos diversos – prostituição, pontos de ônibus, comércio formal e informal, morada de população de rua etc – sendo, assim, configura-se enquanto um território tenso e conflituoso.  O espetáculo transitou especialmente por essas áreas ocupadas, gerando uma relação de atrito e proximidade com os habitantes da praça e uma relação mais distanciada do publico convidado com o trabalho.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Eric Gomes

Para mais informações sobre o festival e acesso à programação completa, acesse o site: http://www.cenacumplicidades.com/

Cena Cumplicidades

Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Goiânia – GO

Seguimos com a circulação nacional de Instruções para o Colapso, contemplada pelo Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013, desta vez região Centro-Oeste. Em Goiânia o Coletivo realizou duas apresentações do Instruções para o Colapso na cidade de Goiânia –  uma no sábado, dia 17 de outubro, às 11h na Avenida Goiás; e outra no domingo, dia 18 de outubro, às 17h no Parque dos Buritis. Além disso faz parte do projeto a realização de trocas artísticas com coletivos parceiros e oficinas com alunos da Universidade. Para isso oferecemos uma oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas  e um Bate- papo com os alunos do Laboratório de Dança, em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG). E também realizamos uma Incubadora de Criação com o Laboratório de Poéticas Corporais e Tecnologia.

Goiânia, a partir de um primeiro olhar vê-se uma cidade planejada –  como Brasilia -, mas com o passar dos dias a visão se detalha e percebe-se então uma organização que se fez caótica com o passar do tempo, devido talvez a um crescimento populacional acelerado que se deu nos anos 60.  Logo que chegamos já recebemos um presente –não esperado, trânsito. No cotidiano, uma certa pressa no trânsito – passar farol vermelho e andar pelas calçadas é algo bem frequente por aqui, tudo para fugir dos pequenos engarrafamentos que surgem pela cidade.  Percebe-se um estado de conflito iminente, um tipo de violência mais crua, menos velada, que sobrevive no cotidiano com certa normalidade, em diversas camadas. Localizada no centro do Estado de Goiás, foi planejada e construída para ser a capital política e administrativa de Goiás sob influência da Marcha para o Oeste, política desenvolvida pelo governo Vargas para acelerar o desenvolvimento e incentivar a o ocupação do Centro-Oeste brasileiro.

Este slideshow necessita de JavaScript.

As apresentações do Instruções para o Colapso foram realizadas na cidade de Goiânia –  uma no sábado, dia 17 de outubro de 2014, às 11h na Avenida Goiás; e outra no domingo, dia 18 de outubro de 2014, às 17h no Parque dos Buritis. Os dois lugares trazem características muito novas para o Instruções para o Colapso e isto possibilitou novas formas de pensar o trabalho e entender mais uma vez a relação de co-autoria com o espaço. A Avenida Goiás, palco de manifestações e ações das mais variadas da cidade, lugar de grande concentração de comércio formal e informal, e apresenta um cenário de conflito político e embate social bem evidente. Foi uma apresentação que exigiu uma reconfiguração considerável do espetáculo, uma vez que ele nunca havia sido realizado em uma avenida. Metade da apresentação aconteceu no canteiro central da avenida – o que deu ao trabalho um tom mais imagético e poético – e a outra metade na calçada comercial, onde gerou mais conflito, tensão e reverberação social. E o Parque dos Buritis, que aos domingos é utilizado especialmente para passeios familiares, uma vez que é um espaço muito bonito, tranquilo, agradável e fresco. Foi um ambiente completamente novo para o trabalho, que teve seus aspectos visuais – imagéticos e de desenho espacial ressaltados.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas  foi realizada no dia 23 de outubro de 2014, das 8h30-11h30, e o Bate Papo no dia 22 de outubro de 2014, das 10 as 11h40, ambos no Laboratório de Dança | Centro de Dança Lenira Miguel de Lima (FEFD – Faculdade de Educação Física e Dança) – Campus Samambaia – na UFG – em parceria com as professoras Elisa Abrão e Ana Reis. No Bate Papo tivemos a oportunidade de colocar a pesquisa em discussão e assim suscitar novos entendimentos e questionamentos acerca não apenas do trabalho do Cartográfico, mas da dança contemporânea e da intervenção urbana em termos mais amplos. Na oficina compartilhamos nossas pesquisas de fisicalidades e de ocupação do espaço urbano. A proposta de ocupação se deu nos espaços internos do campus da UFG.

Este slideshow necessita de JavaScript.

A Incubadora de Criação realizada em parceria com o Laboratório de Poéticas Corporais e Tecnologia, se desenvolveu sob a forma de uma potente troca artística do Coletivo Cartográfico com as artistas Elisa Abrão, Ana Reis e Warla Paiva.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: André Pin

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Thiago Cancelier Dias

Não ser o principal propositor em um processo de troca artística é bem provocador, perde-se o controle. Tira-se um pouco o chão – as certezas –  e adentra-se em novos modos de produção, novas formas de realizar atos artísticos. Os atravessamentos foram constantes, a cada encontro, a cada dia. Escolhemos por fim, criar uma proposta de embate com a cidade, a partir de olhares individuais propostos por cada uma das artistas com seus interesses póeticos e artísticos específicos inspirados estes em questões que mais as instigavam cada qual no seu relacionar-se com a cidade de Goiânia.  Seis artistas mulheres com suas intervenções individuais, cada qual em uma parada do Eixão, na Avenida Anhanguera. Iniciamos e terminamos juntas, combinamos um local de início e de fim da ação. A proposta era que fizéssemos a ação na frente das pessoas que esperam o ônibus na parada, do outro lado da rua. A Avenida Anhaguera tem uma grande importância de fluxo para a cidade, ela atravessa um dos grandes eixos da cidade – sendo o outro eixo a Avenida Goiás. Eixo Anhanguera é o nome dado a um corredor de transporte coletivo exclusivo. Em seus 14 km de extensão, faz a ligação entre os extremos leste e oeste da capital. A ação foi um experimento com muita potência de continuidade e aprofundamento. Neste atravessar e ser atravessado, nestes dias intensos de trocas e compartilhamentos no fazer e criar. A experiência se fez, as reverberações ainda estão por vir.

“(…) uma experiência, por definição, determina um antes e um depois, corpo pré e corpo pós-experiência. Uma experiência é necessariamente transformadora, ou seja, um momento de transito da forma, literalmente, uma trans-forma. As escalas de transformação são evidentemente variadas e relativas, oscilam entre um sopro e um renascimento (…)” (FABIÃO, 2008)

Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso no Rio de Janeiro – RJ

Seguimos com a circulação nacional de Instruções para o Colapso, contemplada pelo Prêmio FUNARTE Klauss Vianna de Dança 2013, desta vez região Sudeste, pousando na cidade maravilhosa.  O Coletivo se propôs a realizar uma série de atividades no Rio de Janeiro, entre elas: uma Incubadora de Criação com o Grupo de pesquisa em Dramaturgias do Corpo da UFRJ – em parceria com a artista Lígia Tourinho; duas oficinas Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas – uma realizada na UFRJ e outra na Faculdade Angel Vianna; e duas apresentações do Instruções para o Colapso –  uma no sábado, dia 11 de outubro, às 11h na Cinelândia; e outra no domingo, dia 12 de outubro, às 16h no Largo do Machado.

No Rio de Janeiro os processos se realizaram de forma mais verticalizada pela intensidade das ações. Um cidade em transformação constante, um canteiro de obras. Logo na entrada da cidade nos deparamos com o Porto Maravilha, projeto que regula a revitalização da zona portuária e altera de forma significativa a chamada paisagem cultural do Rio de Janeiro. Além de não garantir que se permita a construção de moradias de interesse social, nem que a população hoje residente no local não seja expulsa – com a valorização decorrente dos enormes potenciais construtivos atribuídos a região.

Estes deslocamentos de populações humildes sempre foram recorrentes nos processos históricos no Rio. Uma cidade marcada por conflitos de grande porte, como a Revolta da Vacina. Como centro político do país, o Rio foi palco principal dos movimentos abolicionista e republicado na metade final do século XIX. Com a Proclamação da República enfrentou graves problemas sociais advindos do crescimento rápido e desordenado. Com o declínio do trabalho escravo, a cidade passou a receber grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado. O aumento da pobreza agravou a crise habitacional, traço constante na vida urbana do Rio desde meados do século XIX. O epicentro dessa crise era ainda, e cada vez mais, o miolo central – a Cidade Velha e suas adjacências-, onde se multiplicavam os cortiços e a cidade era foco endêmico de uma infinidade de moléstias: febre amarela, varíola, febre tifoide, impaludismo, peste bubônica, tuberculose, dentre outras.  Muitas campanhas de erradicação, perpetradas pelos governos da época, não foram bem recebidas pela população carioca. Houve muitas revoltas populares, entre elas, a Revolta da Vacina, de 1904, que também teve como causa a tomada de medidas impopulares, como as reformas urbanas do centro, executadas pelo engenheiro Pereira Passos. Varios cortiços foram demolidos e a população pobre da região central deslocada para as encostas de morros, na zona portuária e no Caju. Tais povoamentos cresceram de maneira desordenada, dando início ao processo de favelização – o que não impediu a adoção de varias outras reformas urbanas e sanitárias que modificaram a imagem da então capital da República.

Pode-se deduzir, portanto, que a transformação do plano urbano da capital obedeceu a uma diretriz claramente política, que consistia em deslocar aquela massa temível do centro da cidade, eliminar os becos e vielas perigosos, abrir amplas avenidas e asfaltar as ruas. E, com efeito, a medida mostrou-se adequada: a Revolta da Vacina foi o último motim urbano clássico do Rio de Janeiro. Se o remédio foi eficaz, o diagnóstico foi exemplar. A demolição dos velhos casarões, àquela altura já quase todos transformados em pensões e cortiços, provocou uma crise de habitações que elevou os aluguéis e pressionou as classes populares para os subúrbios e para cima dos morros que circundam a cidade. A enorme pressão por imóveis, devida tanto às demolições das zonas central e portuária, quanto à especulação, empurraram as populações humildes para a periferia da cidade, ou para os bairros mais distantes e degradados, onde se alojavam em condições subumanas e pagando preços exorbitantes.

E estes deslocamentos populacionais tem sua continuidade hoje no Rio de Janeiro com as obras da Copa 2014 e Olimpíadas 2016 e os inúmeros casos de despejo e remoção forçada. Trata-se, via de regra, de comunidades localizadas em regiões que, ao longo do tempo, tiveram enormes valorizações e passaram a ser objeto da cobiça dos que fazem da valorização imobiliária a fonte de seus vultosos lucros. Deslocamentos estes que nos fazem refletir sobre este Corpo-Cidade, e estas constantes transformações a que o corpo é submetido e convidado ao embate.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Val Lima

As apresentações do Instruções para o Colapso foram realizadas no Largo do Machadono sábado, na Cinelândia e, no domingo, no Largo do Machado.  As duas localidades onde ocorreram as apresentações são marcadas por conflitos sócio-políticos e ocupações populares. A Cinelândia desde o golpe militar tem sido palco de protestos da sociedade civil e o Largo do Machado – devido à proximidade do Palácio Guanabara, atual sede do Governo do Estado do Rio de Janeiro – também se caracteriza enquanto espaço de tensão e conflito permanente. A apresentação da Cinelândia gerou uma relação mais contemplativa do público – convidado e espontâneo – com o trabalho, devido a amplidão e a linearidade de sua arquitetura; já o Largo do Machado, gerou relações intensas e diretas do público – convidado e espontâneo – com o trabalho, uma vez que a praça estava ocupada por uma feira de artesanato e seus territórios ficaram condensados e repletos de fronteiras e limites espaciais sociais, o espetáculo borrou esses limites, aproximando e tensionando relações entre grupos que normalmente se mantém apartados no Largo.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Vivi Bezerra

No Rio de Janeiro, as oficinas ocorreram a partir de uma parceria com a Angel Vianna Escola e Faculdade de Dança e também com o Curso de Dança da UFRJ. A primeira oficina foi realizada nos dias 07 – das 13h40 -15h30, 08 – das 15h10 -17h e 09 – das 14h -18h – de outubro de 2014, com duração de 7h40, na Angel Vianna Escola e Faculdade de Dança, no Rio de Janeiro/RJ. A segunda oficina foi realizada no dia 10 de outubro de 2014, – das 14h – 17h, na Escola de Educação Física da UFRJ, no Rio de Janeiro/RJ.

Este slideshow necessita de JavaScript.

As oficinas Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas foram realizadas na Facudade Angel Vianna, em Botafogo, e na UFRJ, na Ilha do Fundão. Contextos bem diferentes, as proposições se transformaram de acordo com as diferentes localidades. Na Angel Vianna fizemos proposições de ações na rua, nos entornos da faculdade, e as provocações de co-autoria da rua suscitaram questionamentos sociais e éticos do fazer arte em contextos urbanos. Na UFRJ, a proposta de ocupação se deu nos espaços internos da Escola de Educação Física, onde o departamento de Dança é sediado. A UFRJ, mais austera, se assemelha por vezes a uma prisão. As diversas camadas de história desta universidade acoplam a ela uma certa densidade –  sua história se confunde a própria história do desenvolvimento cultural, econômico e social brasileiro e muitos dos seus cursos vêm da época da implantação do ensino de nível superior no país; ela é reestruturada no Governo Vargas e durante a ditadura militar sofre  inúmeras perseguições políticas. A turma da UFRJ tinha uma proximidade muito grande com trabalhos e improvisação e composição, sendo assim as propostas de ações foram muito bem aproveitadas por eles dialogando constantemente com o espaço de jogo.

A Incubadora de Criação se deu em parceria com o Grupo de Pesquisa Dramaturgias do Corpo, coordenado pela professora Lígia Tourinho, na escola de dança da UFRJ. O grupo tem como tema principal discussões sobre dramaturgias, composição e encenação. A proposta do laboratório foi que as integrantes do Coletivo assistissem a trabalhos em processo de alunos do último e penúltimo ano do curso de dança, em vias de atravessar seus processos com os olhares de dramaturgias e composição que circunscrevem o trabalho do Cartográfico.

Este slideshow necessita de JavaScript.

 

 

Instruções para o Colapso_Novo Vídeo-Teaser

Vejam o nosso novo Vídeo-Teaser do espetáculo/performance Instruções para o Colapso do Coletivo Cartográfico apresentado na Praça da Sé(SP), no dia 13 de setembro de 2014, como parte da circulação nacional através do Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013.

Instruções para o Colapso é um espetáculo de intervenção urbana que investiga a dança contemporânea em interface com a linguagem da performance. Nele, as performers se colocam em situações de risco que permitam que seus corpos sejam atravessados pelas diversas informações, acontecimentos, sensações e estruturas espaciais presentes no espaço público. Dessa maneira, o corpo como entidade individual é questionado e, através de sua desconstrução, também a rua deixa de se apresentar como território fixo, sendo desnudada como um campo transitório e fragmentado. Essa desconstrução é provocada, aqui, através de diversos dispositivos, regras, agenciamentos, programas, movimentos, coreografias. Cria-se uma ordem para a desordem – instruções para o colapso.

FICHA TÉCNICA – Instruções para o Colapso

Concepção: Coletivo Cartográfico – Carolina Nóbrega, Fabiane Carneiro e Mônica

Lopes.

Criação: Coletivo Cartográfico

Direção: Coletivo Cartográfico

Performance: Coletivo Cartográfico

Trilha Sonora: Felipe Merker Castellani e Coletivo Cartográfico

Cenário: Coletivo Cartográfico

Figurino: Coletivo Cartográfico

Provocação artística: Alex Ratton

Preparação corporal: Henrique Lima e Jerônimo Bittencourt

Oficina – Demolições Corporais: Natalia Fernandes

Produção: Viviane Bezerra

Instruções para o colapso 037 Captação de Imagem e Edição: Bruna Lessa e equipe

Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Curitiba – PR

A Circulação nacional do Coletivo Cartográfico com apresentações do Instruções para o Colapso  e a realização de  uma série de outras atividades propostas – oficinas e trocas artísticas com grupos parceiros – trouxe a possibilidade de  um olhar mais aprofundado e calmo devido a oportunidade de permanecer por mais  tempo em cada uma das  localidades.

Permite-se assim uma tentativa de aproximação, nem sempre válida, nem sempre precisa o suficiente, nem sempre com a profundidade necessária para entender as complexidades dos emaranhados de entendimentos de cada contexto. Estas impressões me parece se fazem a partir de um olhar de viajante – de estrangeiro –  que permitem  um certo distanciamento, uma possibilidade de rever o trabalho sobre outras óticas.  E, além disso, um olhar curioso ao se colocar na situação de experiência única em cada espaço com suas singularidades.  O olhar sempre é um recorte de quem observa amarrado sempre as experiências pessoais e contextos históricos.

Transitamos principalmente pela região central de Curitiba. E a partir dos relatos das pessoas nos deparamos com camadas de realidades da cidade, tempos distintos convivendo e se atravessando no cotidiano urbano.  A percepção mais aguçada se relaciona com outras formas de ocupar a cidade, outras dimensões de rua e de calçadas. Curitiba é uma cidade muito agradável de caminhar a pé, devido a esta dimensão do pedestre, que me parece ser sempre pensada. A dimensão mais larga das ruas permite-se respirar mais, e a possibilidade de ver muitos bancos de madeiras e fontes nos passeios públicos traz um conforto de quem vem de uma cidade que passa por um processo de seca tão intenso e de uma cidade que não se preocupa em prover espaços de convívio e de estadia no contexto urbano. A mobilidade urbana também provoca reflexões, as famosas Estações-tubo, que pela única experiência que pudemos ter nos possibilitou viver uma forma de resolução bem interessante e possível para grandes centros urbanos.

As apresentações do Instruções para o Colapso foram realizadas na Praça Santos Andrade nos dois dias, o que possibilitou uma experiência de adensamento com o espaço publico e diálogo maior com quem convive com a Praça e se relaciona com ela em seu cotidiano.  A praça é considerada como um marco cultural da cidade, pois em seu entorno encontram-se dois dos principais pontos históricos e culturais de Curitiba, o Campus Prédio Histórico da UFPR e no lado oposto o Teatro Guaíra. O entorno da praça sofreu grandes transformações ao longo do século XX com o desaparecimento do casario da velha Curitiba para abrir espaço para modernos edifícios O colapso se relaciona com estas constantes transformações da cidade, e suas camadas de ocupação visíveis mesmo com o passar do tempo. Esta Praça também é próxima da Rua XV de novembro (ou Rua das Flores) – primeira grande via pública exclusiva para pedestres do Brasil, inaugurada em 1972.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Foto: Miriane Figueira

O Coletivo Cartográfico também realizou a Oficina Corpo Cidade | Performances Urbanas Coreográficas na Universidade Estadual do Paraná-Unespar, integrando a programação do 1.o INTERARTE.  A oficina  foi realizada no dia 30 de setembro, uma terça-feira, das 15-18h com a participação de 19 alunos de variados cursos da Unespar.

Na oficina também nos deparamos com este aspecto de estrangeiros. Como se colocar em espaço alheio com cuidado e ao mesmo tempo promover um estado provocativo – propondo questionamentos.  A FAP esta passando por transformações – de faculdade para universidade, de FAP para Unespar. Um momento de crise e luta, um conflito iminente relacionado a ocupação e urgência de novos espaços. O Coletivo Cartográfico chegou em meio a estas mudanças e utilizou de um prédio em construção –  espaço este que permanecia enquanto não-lugar, um espaço ainda a ser ocupado e contruído coletivamente para uso público. Nossa proposta de ocupação aflorou diversos questionamentos já existentes sobre o uso do espaço e suscitou reflexões que devem permanecer. O não controle do que se provoca/ e de como se é provocado é algo que nos interessa – esta reverberação que permanece mesmo depois do atravessamento…

 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Sobre Trabalhos: Instruções para o Colapso em Palmas – TO

Saímos de São Paulo e fomos para Palmas, em Tocantins –  a distância e a oposição já é experienciada em sua cartografia aérea, avistada do avião antes mesmo de se chegar ao chão. Uma sensação de deslocamento espacial e temporal. Para começar Palmas é uma cidade razoavelmente nova, com apenas 25 anos de existência e é planejada, com suas intermináveis rotatórias. São Paulo por sua vez é uma cidade velha é caótica, caracterizada pela organização aleatória e construída a partir da ocupação das pessoas no decorrer de muitos anos.  É uma cidade onde ninguém é de lá, são todos estrangeiros em sua própria terra, algo que me parece se assemelhar com características de São Paulo (de outra forma, claro!), por sua transformação tão constante  e suas ocupações sempre tão efêmeras.  Essa sensação de “estrangeirismo” também nos tocou ao trazer um trabalho com características muito específicas do universo urbano da cidade de São Paulo, o deslocamento do imaginário foi inevitável e novamente a co-autoria com o espaço/contexto se fez presente na realização do trabalho.  Trabalho este criado inicialmente na Praça da Sé, marco zero de São Paulo.  Por coincidência dançamos também no marco zero de Palmas, na Praça dos Girassóis, que falarei um pouco mais para frente.

O clima é bem seco neste período do ano – até mais seco do que anda o clima em São Paulo atualmente – e Palmas é considerada a capital mais quente do Brasil. Pudemos vivenciar duas experiências bem distintas com uma apresentação na Praça dos Girassóis, no centro de Palmas, e outra em uma região mais periférica, na Praça da Matriz, em Taquaralto. Dois universos bem diferentes, e como bem dizem as pessoas que moram lá, “parece até outra cidade”.  A Praça dos Girassóis é a segunda maior Praça do Mundo e por sua vastidão de território me parece ser ainda pouco ocupada. Também devido ao clima muito quente é mais ocupada nos fins de tarde e noite, onde as pessoas fazem caminhadas.  Fizemos a apresentação as 17 horas e contamos também com o público específico do   Convergência 2014 – Mostra de Performance Arte do SESC Tocantins, no qual estávamos inseridos na Programação.  No outro dia, fomos para Taquaralto pela manhã, um bairro de Palmas mais periférico, mais popular, e semelhante às cidades satélites de Brasília, onde a ocupação é mais caótica e intensa.  A Praça da Matriz onde dançamos é o local das propagandas políticas, uma ilha povoada por muitas pessoas, muitos passantes, e muitas crianças; local de intenso comércio formal e informal, com livre trânsito caótico de carros e seus jingles políticos, dando voltas na praça durante toda a manhã –  e, de fato, o Instruções para o Colapso neste dia teve uma nova trilha sonora. Os moradores se vangloriam da autonomia deste bairro diante do centro de Palmas, dizendo existir tudo nesta região para os moradores viverem com tranquilidade.  Foi uma experiência bem intensa para o Coletivo Cartográfico, percebendo o quanto o atravessamento do público em sua constante provocação e co-autoria é importante para este trabalho.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O Coletivo Cartográfico também realizou uma oficina em Palmas, na UFT –  Universidade Federal do Tocantins – devido a parceria com a artista Thaíse Nardim.  A oficina Corpo-Cidade | Performances Urbanas Coreográficas foi realizada no dia 02 de setembro, uma terça-feira, das 19-22h com a participação de 27 alunos de variados cursos da UFT.

Este slideshow necessita de JavaScript.

UFT oferece oficina de performance a estudantes de Palmas