Diálogos: Desenhos de Ricardo Woo

Desenhos de Ricardo Woo, feitos durante a apresentação de Instruções para o Colapso no dia 15 de setembro de 2013, em Santo André, ultima cidade da circulação feita com o apoio do ProAC Primeiras Obras de Dança 2012.

Um presente. Uma Surpresa. Obrigada Ricardo.

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Diálogos: de Sol Bentto, do Coletivo Ambulante, para o Coletivo Cartográfico

Segue, abaixo, um texto de Sol Bentto, integrante do Coletivo Ambulante – http://coletivoambulante.blogspot.com.br/ – sobre a apresentação da performance/espetáculo Instruções para o Colapso, realizada em São Bernardo do Campo, durante a circulação apoiada pelo ProAC Primeiras Obras de Dança 2012, em parceria com o CLAC (Centro Livre de Artes Cênicas):

Em observância… Instruções para o Colapso… do Coletivo Cartográfico…

Dia quente muito quente em São Bernardo do Campo, dia 14. Três mulheres adentraram a praça, corpos lentos, buscando a errância e o desconforto da cidade, corpo frágeis. Numa cidade provinciana como São Bernardo, no centro da cidade, na praça da Matriz algumas pessoas paravam para observá-las, olhares estranhos, curiosos – ali as estrangeiras e seus corpos em potência, em latência, buscando um estado gerativo.

Subiram as escadas da igreja, depois, derreteram-se, uma a uma – água, fluxo. De repente – um grito! Há um lapso descontrolado descontrolando o meu corpo que as observava atentamente.

Então, olhares. Cria-se um jogo. Corpos que se tocam num total frenesi, força, risco, embate e dor. Dói ver! Dói em mim!

Corpos no chão, corpos ao chão, desmembramento. Sou conduzida pelas artistas, a adentrar em mim e, então, não sou mais eu, sou elas, sou os outros observantes, passantes, transeuntes, pipoqueiros, senhoras e senhores, crianças, mãe e o sorvete a derreter no calor insuportável.

Uma nova paisagem se configura no espaço, funde-se com elas, e para elas – presente para nós. Corpos extra-cotidianos, instiga/dores, investiga/dores. E assim, não éramos mais os mesmos, nem elas, nem eu.

Corpos frágeis? Sim! Corpos fortes!

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Diálogos: Arquitetura e Dança IV

Por Andrea Mendonça

Dando continuidade a série de vídeos sobre dança e arquitetura: mais um trecho de uma intervenção realizada em um bairro inteiro!

Julie Desprairies – Compagnie des Prairies – sobre site specific, dança e arquitetura! Trecho de “Là commence le ciel”

Parcours chorégraphique pour les Gratte-ciel de Villeurbanne.
Conception : Julie Desprairies
Biennale de la Danse de Lyon 2006

http://www.compagniedesprairies.com/

Diálogos: Arquitetura e Dança III

Por Andrea Mendonça

Dando continuidade a série de vídeos sobre dança e arquitetura: um trecho de uma intervenção realizada em um bairro inteiro!

Julie Desprairies – Compagnie des Prairies – sobre site specific, dança e arquitetura! Trecho de “Là commence le ciel”

Parcours chorégraphique pour les Gratte-ciel de Villeurbanne.
Conception : Julie Desprairies
Biennale de la Danse de Lyon 2006

http://www.compagniedesprairies.com/

Diálogos: o artista e a morte

Vídeo

por Carolina Nóbrega

Não serão palavras minhas, ofereço as de outra pessoa, pelo diálogo que toca nas ruínas e mortes que andamos a cartografar… Trata-se de um artigo do professor e filósofo Vladimir Safatle, publicado no caderno Opinião da Folha de São Paulo no dia 13/03/2012. Depois dele, um vídeo com imagens do artista a quem ele se refere… Eis:

VLADIMIR SAFATLE

Grande demais

“Os artistas são como os filósofos, têm frequentemente uma saúde frágil, não por causa de suas doenças ou de suas neuroses, mas porque viram na vida algo grande demais para qualquer um, grande demais para eles, e que pôs neles a marca discreta da morte.” Tal afirmação de Gilles Deleuze e Félix Guattari tem o mérito de fornecer um diagnóstico de época.

Se a ideia estiver correta, então a arte e a filosofia sempre perderão força em épocas que têm medo da doença e da neurose, épocas que veem nelas apenas momentos vazios que devem ser aniquilados o mais rápido possível.

Mas, muitas vezes, a doença é, no fundo, a preservação de um futuro em suspenso. Seu trabalho consiste em lembrar-nos que nossa saúde ficou pequena demais, que a vida que se repete na saúde não consegue produzir formas para o que parece “grande demais”. Por isso, a saúde que encontramos depois da doença nunca é o retorno ao estado anterior. Compreender que nunca voltaremos ao estado anterior é condição para romper com a fixação em algo que acaba apenas por nos aprisionar no que não tem mais força para perpetuar-se.

Alguns poderiam ver nesse “topos” uma recuperação da velha crença romântica tardia na “formação pelo sofrimento”. Outros veriam, ao contrário, uma maneira peculiar de acreditar que a vida sempre consegue encontrar respostas para os problemas que ela mesma coloca, desde que estejamos dispostos a ouvir as perguntas.

Como bem nos mostrou um psicanalista como Jacques Lacan, as neuroses são questões, assim como a doença é um tensionamento da vida -o que talvez nos explique porque não há organismo absolutamente saudável, nem sujeito desprovido de sintoma.

Essa é uma estratégia dos que acreditam que a verdadeira perspectiva moral consiste em estar à altura do que nos ocorre. Os que sentiram com muita proximidade a neurose podem usar suas forças para esquecê-la, um pouco como gostaríamos que nosso organismo esquecesse as doenças pelas quais passou. Outros encontrarão nela suas melhores questões, de maneira distorcida e mal colocada.

Que um dos maiores artistas plásticos vivos, Anselm Kiefer, tenha construído um impressionante conjunto de obras a partir de materiais em ruínas, lembranças gastas, imagens de grandiosidade envelhecidas pelo tempo, eis algo que parece validar a afirmação de Deleuze e Guattari. Sua obra lembra como há algo que passou arruinando as formas que tínhamos, algo que deixou nossas figuras “pequenas demais”, imprimindo nelas a marca discreta da morte. Tais artistas nos mostram que nossa época não desconhece o verdadeiro movimento.